Paralisação Nacional da Educação. Um problema de todos!
Hoje, 16 de agosto de 2011, mais uma vez os profissionais de educação do nosso país paralisam suas atividades para reivindicar o cumprimento de direitos que já foram adquiridos por lei.
É incrível como esses profissionais – e a própria educação, no seu sentido mais amplo – são “supervalorizados” em nosso país. Primeiro tem que lutar para conseguir alguns direitos e benefícios básicos – facilmente alcançados e desfrutados em outros setores econômico/sociais – e em seguida tem que continuar lutando para poder fazer valer o direito outrora adquirido. Isso é o que podemos chamar de incentivo à educação.
Em várias cidades do país, de norte a sul, várias atividades estão sendo realizadas (veja programação). Será que encontraremos algumas das personalidades globais, que vez em quando adentram as nossas casas pelos nossos televisores nas propagandas do governo de “valorização do professor”, em alguma dessas atividades? Francamente, acredito que não. E a sociedade civil, o que pensa sobre isso? Como tem se posicionado?
Neste último final de semana viajei com um grupo de amigos para uma cidade em outro estado. No canal de TV local, a cada intervalo comercial, uma propaganda da prefeitura informava à população sobre a greve dos professores, quanto esses profissionais ganhavam e concluía com um apelo à categoria que voltassem às suas atividades por respeito aos alunos e aos pais/responsáveis.
Ao assistir a essa campanha, foi inevitável tecer alguns comentários, que se tornaram questionamentos e, consequentemente, em uma breve discussão com alguns presentes. Talvez o meu ponto de vista sobre a referida questão seja um tanto quanto comprometida por conta da minha profissão. Mas o que me angustia é ver esse pseudo discurso “em prol de uma educação de qualidade”.
Como será que os milhões de telespectadores – que estão sendo atingidos, direta ou indiretamente por essa greve – estão compreendendo essa campanha? Como a sociedade civil a compreende? Quais serão as reais intenções do Governo ao veicular uma propaganda desse tipo? Qual será a imagem que a sociedade estará construindo acerca dos profissionais de educação com base nessas informações divulgadas?
Eis o grande “X” da questão no sistema educacional brasileiro. O Governo quer no âmbito federal, estadual ou municipal, ditar suas regras – doa em quem doer – ao mesmo tempo em que brinca de polícia e ladrão com os profissionais da área, enquanto que um grande percentual destes finge que ensinam; os alunos, por sua vez, só pensam, ou melhor, só querem ser aprovados e se livrarem logo das escolas; os pais e/ou responsáveis (destes), em sua grande maioria, só estão de olho no bolsa família, bolsa escola, bolsa isso, bolsa aquilo, etc., ou simplesmente querendo ver-se livre dos seus problemas (filhos), nem que seja por algumas horas; e a sociedade civil finge que não está vendo nada, não está sabendo de nada e que tudo está em perfeito estado.
Há dois meses os professores deste referido município se encontram greve. Milhares de alunos sem aula; certamente esses profissionais estão tendo os seus salários cortados – se é que estão recebendo; e nessa disputa de braços, tudo fica na mesma… Seguindo o curso “natural” da vida…
Esse é apenas um caso específico dentre centenas de outros que existem espalhados em nosso país. Mas os elementos são os mesmos; os problemas também; e os resultados ibidem. Quando será que realmente alguma coisa – de valor significativo – será feita para se não mudar ao menos atenuar essa gritante realidade do sistema educacional do nosso Brasil?
Hoje os profissionais de educação mais uma vez pararam suas atividades para protestar e reivindicar as autoridades competentes que respeitem os seus direitos, e consequentemente a eles enquanto profissionais e cidadãos que cumprem seus deveres.
E você, o que tem feito para que as nossas crianças e jovens tenham de fato uma educação pública de qualidade?










