15 minutinhos…

365 dias sofremos com o desprezo social; 200 dias letivos somos explorados, violentados e humilhados… Tudo isso rapidamente esquecido para se viver uns 15 minutinhos de atenção.
Não precisamos e nem queremos, holofotes, fama ou glamour. Respeito e dignidade já se constituem um bom princípio.
Princípio… Isso é o que falta na sociedade brasileira. A “pátria que me pariu” vem se deixando corromper a cada dia, um pouco mais… Abdicando, dessa forma, da sua moral.
Esnobou, caiu de amores!

Ela o conheceu em uma festa, em uma daquelas baladinhas de final de semana em que as pessoas vão dispostas a dançar e beber demasiadamente como se o mundo fosse acabar.
E eis que em meio a goles de vodka ela olha para o lado e Ops, olha o gatinho reparando nela. Flerte? Ainda existe essa palavra? Enfim, rolou aquela troca de olhares e em menos de dois minutos, Uou! Aquele beijo de cinema com direito a variadas piruetas lingüísticas.
Nomes são trocados nos intervalos em que as bocas se separam, assuntos são comentados assim cautelosamente para quebrar o gelo e eis que em meio ao banal ele diz: “Queria te falar uma coisa… Tenho namorada. E aí, como ficamos?”.
Um singelo parêntese – ‘Queria te falar uma coisa’ já não é algo legal. Você já espera algo dar errado. É tipo um ‘Mas’ depois de uma declaração de amor. Mas enfim… Vamos voltar à historinha.
Passa o tempo e fica mais fácil esquecer
Tempo.
Tempo.
Tempo.
Tique Taque.
Taque Tique.
Depressa escorre pelos dedos.
Passa ligeiro pelos pêlos.
Arrepia quando os segundos correm.
Dá ansiedade quando os minutos voam.
E no passar dos dias nos sentimos cada vez mais atarefados.
Os dias são curtos para tantas obrigações.
As obrigações são tantas para um mês.
30 dias passam sorrateiros.
Meses passam como se fossem uma escada rolante em que nós somos meros coadjuvantes.
E o que dizer dos anos que passam trazendo rugas e a idade a cada novo tique taque?
A vida acontece, não avisa
A vida é feita de escolhas.
Escolhemos ir. Escolhemos ficar. Escolhemos partir. Escolhemos voltar. Escolhemos fugir. Escolhemos tantas coisas…
Assim como quem compra roupas, nós escolhemos o que chamamos de destino na vida.
Calma aê, tá me chamando de maluco?
Deixa eu tentar explicar minha teoria de escolhas para você que acredita em destino.
Em vez de destino eu acredito em escolhas. Sempre temos dois caminhos. Sempre podemos dizer um sim e um não. E isso cabe unicamente e exclusivamente a nós mesmos. Então se podemos tanto dizer um sim na hora do casamento, podemos dizer um não. E aí entra a minha teoria, a gente escolhe o nosso caminho.
Tudo bem que tem coisas que fogem do nosso controle e aparecem sem que antes tenhamos planejado. Há coisas implícitas e inexplicáveis, fato. Mas também há vontades, desejos, sonhos, esperanças…
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Zona de Conforto
Sair da zona de conforto, o que seria isso? Só percebemos quando acontece naquele instante em que o planejamento dos meses que virão não faz mais sentido. Naquele momento em que o livro que você estava lendo está com o marcador na página dez tem dez dias, o sono não é mais o mesmo…
Nada faz sentido. Você olha em volta e as coisas parecem automáticas, programadas, sem lógica.
Aquela redoma que havia em volta de um mundo criado por você não existe mais.
Fora de foco

Levam alguns poucos segundos para que se tire uma foto desfocada. Basta uma tremida na mão, uma posição errada, um foco desajustado, algo do tipo, é muito simples, rápido e há quem goste.
Mas leva certo tempo para que algo fique fora de foco na vida. Temos a mania de remoer as coisas, e tem coisas que realmente precisam ser remoídas e ressentidas, para que se esgotem.
A dor nunca é passageira. A ferida prevalece, sempre. O que acontece, dizem por aí, é que a dor é tirada do centro das atenções. Paramos de pensar com freqüência naquilo que nos faz chorar. Demora um tempo, e apenas pequenos detalhes nos fazem reviver algo doloroso, nos fazem sentir saudade.



















