Longe do Portão de Casa.[Parte II ]
A base da família, estava quebrando-se, muitos jovens no Brasil, passam por isso, como muitas cidades do interior, ainda não possui boas faculdades, boas oportunidades de emprego, resta apenas, se quisermos um futuro diferente, ir para a cidade grande.
A primeira experiência que tive, em morar sozinha foi na cidade de Feira de Santana, fazia faculdade a noite, viajava todo dia, de Alagoinhas para Feira de Santana, mas após ser assaltada em frente à faculdade,quando esperava o ônibus,tomamos a decisão de que eu precisava ir morar em Feira de Santana.
Uma menina que nunca havia dormido na casa de alguém, agora tinha que ir morar sozinha numa cidade nova, maior que a minha. Saímos à procura de um local, encontramos um pensionato familiar, quarto individual com banheiro, para mim tinha que ser individual, não passava de jeito nenhum pela minha cabeça a idéia de dividir algo com alguém, queria o meu espaço, como sempre tive.
Em menos de uma semana me mudei. Quando entrei no quarto que conseguia ser menor que o meu de Alagoinhas, mesmo tendo banheiro. Sentir um vazio tão grande tinha uma cama, TV, som, guarda-roupa, uma banquinha com cadeira, não havia espaço nem para colocar o meu computador. Como não sabia cozinhar, minha mãe encomendou marmita, que era entregue na porta do meu quarto todo dia ao meio-dia, mas que eu só comia, lá para duas da tarde.
Minha rotina era, vou começar, de onde realmente começava o meu dia, as 18 h ,quando ia tomar banho para ir a faculdade,ia a pé, o pensionato era perto da faculdade, mas passava por cada lugar,que eu tinha que ir rezando,ainda mais pela fama de violenta que Feira de Santana possui.Tomava todos os dias café na faculdade,eram as únicas vezes no dia que me alimentava direito,quando comia a marmita e a noite na faculdade.Retornava para casa 22h30,torcia para arrumar carona,ou saia mais cedo da aula para pegar o aviário de 22h20,pois depois disso era meio complicado,e se não tivesse nenhum dos dois,ia a pé mesmo com amigos.
Chegava a casa, ligava a tv. Assistia filme ou algum programa, acabei gostando de Jô Soares e não conseguia realmente ir para cama sem ele,assistia também as edições repetidas do Jornal do SBT,logo em seguida os seriados que passam na madrugada e filme em algum canal,qual fosse o melhor.Li seis livros de Sidney Sheldom em menos um mês,e alguns de Paulo Coelho,entre outros,foi a época que mais li livros até hoje.Gastava uma bateria do pen-driver em três dias,escutando musicas e rádios,para passar a noite que era longa,já que ia dormir quando o sol já estava nascendo.Um dia vi o sol nascer pela janelinha do banheiro.Haviam noites em que eu chorava,sentindo falta de toda a agitação da minha família,de poder pedir a benção a minha mãe,mas estar ali onde eu estava implicava em alcançar um sonho,então sofria calada,agüentava tudo aquilo.
A hora do almoço era esquisita, aquela mesa enorme que havia na casa de minha avó tinha tornado-se para mim, a cama ou a mesinha, a companhia era a TV.Estudava,quando estava afim,não tinha ânimo nenhum para sair de casa, e para estudar. Estava branca, pois passei tempos sem saber o que era sol. Não sei como passei no semestre, pois realmente não tinha paciência para estudar, meu ânimo havia acabado totalmente, faltava algo para me motivar e eu já sabia o que era. Toda vez que escrevia um texto, minha editora-chefa era minha mãe, ela lia, me ajudava, me incentivava. E naquele momento não tinha mais nada disso. Contava as horas para chegar o final de semana e poder voltar para casa, ficar perto de quem me ama. E poder cantar aquela música dos Titãs: “Eu cheguei em frente ao portão,meu cachorro me sorriu latindo.Minhas malas coloquei no chão.Eu Voltei… Quando vi dois braços abertos,me abraçaram como antigamente,tanto quis dizer e não falei, e chorei. Eu voltei, agora pra ficar, por que aqui, aqui é meu lugar…”
Queria viajar 23 h mesmo de ônibus, não importava a hora que eu ia chegar em casa,só queria chegar em casa,abraçar minha mãe,dormir na minha cama,e acordar já com minha avó gritando o meu primo pela rua.
E essa minha vontade, rendeu muitas brigas com minha mãe, ela preocupada com essas viagens, não queria me deixar voltar no ônibus à noite. Eu acreditava que ela não compreendia a falta que sentia de todos, e ela acreditava que eu não compreendia que era perigoso, e que ela ficaria preocupada. Essa é a intensa relação Pais e Filhos.
Quantas vezes menti, dizendo que não havia aula, na sexta-feira, para poder voltar para casa logo na quinta. Quer dizer não cheguei a mentir totalmente, aula mesmo não tinha na faculdade, e eu ainda dava um jeito de filar, pegar o assunto depois e ainda passar tranquilamente.
Estava cansada daquilo tudo, apesar de ter amigos na faculdade, não sentia vontade de ficar um final de semana naquela cidade, queria ir embora. Na verdade, queria voltar para minha casa e detalhe, para sempre.
Então um dia eu decidi que ia acabar com aquilo tudo. Pensei em me matar uma vez, foi loucura, peguei uma faca de serra, aquela pequena que corta pão, e passei pelo meu punho, queria cortar, queria ver sangue,mas nada disso aconteceu,não tinha forças o suficiente,não tinha coragem para fazer aquilo,porque eu uma menina que tanto amava a família,ia se matar,para que?Por quê?Não sabia, mas era o que eu queria. E graças a alguma força superior, nada disso aconteceu. Acabei com aquilo tudo de outra maneira,falei para minha mãe,que não estava feliz,pois apesar desses problemas,a faculdade também não era das melhores,já não tinha animo para estudar,e não havia incentivo para seguir em frente por parte da faculdade.
Os adolescentes têm medo de conversar com os pais, muitas vezes é porque os próprios pais não abrem espaço para o dialogo em casa, mas a base para um bom relacionamento é o dialogo, principalmente entre pais e filhos, pessoas de gerações diferentes, com pensamento diferente, precisam conversar se entender, e cada um mostrar seu lado, para que se chegue a um consenso e todos os lados saiam ganhando.
Resolvemos que ia sair de Feira de Santana, começamos uma busca das faculdades em Salvador, eu estava resolvendo um dos problemas, que era a faculdade, mas ainda não ia ter minha família perto de mim. Mas acreditava que se pelo menos alguma das duas coisas funcionassem, eu poderia agüentar até o fim.
Foi então que eu sair de casa novamente.
A primeira experiência que tive, em morar sozinha foi na cidade de Feira de Santana, fazia faculdade a noite, viajava todo dia, de Alagoinhas para Feira de Santana, mas após ser assaltada em frente à faculdade,quando esperava o ônibus,tomamos a decisão de que eu precisava ir morar em Feira de Santana.
Uma menina que nunca havia dormido na casa de alguém, agora tinha que ir morar sozinha numa cidade nova, maior que a minha. Saímos à procura de um local, encontramos um pensionato familiar, quarto individual com banheiro, para mim tinha que ser individual, não passava de jeito nenhum pela minha cabeça a idéia de dividir algo com alguém, queria o meu espaço, como sempre tive.
Em menos de uma semana me mudei. Quando entrei no quarto que conseguia ser menor que o meu de Alagoinhas, mesmo tendo banheiro. Sentir um vazio tão grande tinha uma cama, TV, som, guarda-roupa, uma banquinha com cadeira, não havia espaço nem para colocar o meu computador. Como não sabia cozinhar, minha mãe encomendou marmita, que era entregue na porta do meu quarto todo dia ao meio-dia, mas que eu só comia, lá para duas da tarde.
Minha rotina era, vou começar, de onde realmente começava o meu dia, as 18 h ,quando ia tomar banho para ir a faculdade,ia a pé, o pensionato era perto da faculdade, mas passava por cada lugar,que eu tinha que ir rezando,ainda mais pela fama de violenta que Feira de Santana possui.Tomava todos os dias café na faculdade,eram as únicas vezes no dia que me alimentava direito,quando comia a marmita e a noite na faculdade.Retornava para casa 22h30,torcia para arrumar carona,ou saia mais cedo da aula para pegar o aviário de 22h20,pois depois disso era meio complicado,e se não tivesse nenhum dos dois,ia a pé mesmo com amigos.
Chegava a casa, ligava a tv. Assistia filme ou algum programa, acabei gostando de Jô Soares e não conseguia realmente ir para cama sem ele,assistia também as edições repetidas do Jornal do SBT,logo em seguida os seriados que passam na madrugada e filme em algum canal,qual fosse o melhor.Li seis livros de Sidney Sheldom em menos um mês,e alguns de Paulo Coelho,entre outros,foi a época que mais li livros até hoje.Gastava uma bateria do pen-driver em três dias,escutando musicas e rádios,para passar a noite que era longa,já que ia dormir quando o sol já estava nascendo.Um dia vi o sol nascer pela janelinha do banheiro.Haviam noites em que eu chorava,sentindo falta de toda a agitação da minha família,de poder pedir a benção a minha mãe,mas estar ali onde eu estava implicava em alcançar um sonho,então sofria calada,agüentava tudo aquilo.
A hora do almoço era esquisita, aquela mesa enorme que havia na casa de minha avó tinha tornado-se para mim, a cama ou a mesinha, a companhia era a TV.Estudava,quando estava afim,não tinha ânimo nenhum para sair de casa, e para estudar. Estava branca, pois passei tempos sem saber o que era sol. Não sei como passei no semestre, pois realmente não tinha paciência para estudar, meu ânimo havia acabado totalmente, faltava algo para me motivar e eu já sabia o que era. Toda vez que escrevia um texto, minha editora-chefa era minha mãe, ela lia, me ajudava, me incentivava. E naquele momento não tinha mais nada disso. Contava as horas para chegar o final de semana e poder voltar para casa, ficar perto de quem me ama. E poder cantar aquela música dos Titãs: “Eu cheguei em frente ao portão,meu cachorro me sorriu latindo.Minhas malas coloquei no chão.Eu Voltei… Quando vi dois braços abertos,me abraçaram como antigamente,tanto quis dizer e não falei, e chorei. Eu voltei, agora pra ficar, por que aqui, aqui é meu lugar…”
Queria viajar 23 h mesmo de ônibus, não importava a hora que eu ia chegar em casa,só queria chegar em casa,abraçar minha mãe,dormir na minha cama,e acordar já com minha avó gritando o meu primo pela rua.
E essa minha vontade, rendeu muitas brigas com minha mãe, ela preocupada com essas viagens, não queria me deixar voltar no ônibus à noite. Eu acreditava que ela não compreendia a falta que sentia de todos, e ela acreditava que eu não compreendia que era perigoso, e que ela ficaria preocupada. Essa é a intensa relação Pais e Filhos.
Quantas vezes menti, dizendo que não havia aula, na sexta-feira, para poder voltar para casa logo na quinta. Quer dizer não cheguei a mentir totalmente, aula mesmo não tinha na faculdade, e eu ainda dava um jeito de filar, pegar o assunto depois e ainda passar tranquilamente.
Estava cansada daquilo tudo, apesar de ter amigos na faculdade, não sentia vontade de ficar um final de semana naquela cidade, queria ir embora. Na verdade, queria voltar para minha casa e detalhe, para sempre.
Então um dia eu decidi que ia acabar com aquilo tudo. Pensei em me matar uma vez, foi loucura, peguei uma faca de serra, aquela pequena que corta pão, e passei pelo meu punho, queria cortar, queria ver sangue,mas nada disso aconteceu,não tinha forças o suficiente,não tinha coragem para fazer aquilo,porque eu uma menina que tanto amava a família,ia se matar,para que?Por quê?Não sabia, mas era o que eu queria. E graças a alguma força superior, nada disso aconteceu. Acabei com aquilo tudo de outra maneira,falei para minha mãe,que não estava feliz,pois apesar desses problemas,a faculdade também não era das melhores,já não tinha animo para estudar,e não havia incentivo para seguir em frente por parte da faculdade.
Os adolescentes têm medo de conversar com os pais, muitas vezes é porque os próprios pais não abrem espaço para o dialogo em casa, mas a base para um bom relacionamento é o dialogo, principalmente entre pais e filhos, pessoas de gerações diferentes, com pensamento diferente, precisam conversar se entender, e cada um mostrar seu lado, para que se chegue a um consenso e todos os lados saiam ganhando.
Resolvemos que ia sair de Feira de Santana, começamos uma busca das faculdades em Salvador, eu estava resolvendo um dos problemas, que era a faculdade, mas ainda não ia ter minha família perto de mim. Mas acreditava que se pelo menos alguma das duas coisas funcionassem, eu poderia agüentar até o fim.
Foi então que eu sair de casa novamente.










Comentando os atradados…!
Gentee… É assim que sabemos das coisasss! o.O
Lindahhh! AmO-te!
bjO
Você estava com a mente desorganizada, sei, fico sensibilizada, porém vc deveria ter suportado mais um pouco, as coisas iam se organizar no decorrer do tempo. Vivi em Feira por 7 anos, cortar o cordão umbilical tbm foi muito difícil, mas consegui ser forte e só ganhei com isso. beijos