mai 31, 2007
Jeniffer Santos

Longe do Portão de Casa.[Parte I ]

No dia 8 de julho de 1988, as 00h50, no Hospital Geral Dantas Bião, na cidade de Alagoinhas, nascia uma menina, primeira filha, esperada por toda a família. O primeiro pensamento da mãe foi: “quero que você nunca saia dos meus braços”.
Mas como dizem os mais velhos, filho não é para pai, nem mãe, filho é para o mundo.
Muitos jovens saem da sua cidade no interior, para os grandes centros urbanos, a fim de trabalhar e estudar abandona seu lar e suas famílias, para viver sozinho ou com amigos em um mundo desconhecido. Há lados positivos e negativos neste êxodo, os jovens amadurecem mais cedo, pois são obrigados a ter responsabilidade, mas também muitas famílias acabam desestruturadas.
Lembro que meus pais nunca me deixavam dormir na casa de coleguinhas. Eles sempre precisavam viajar para trabalhar, e eu preferia dormir na minha casa, na minha cama, no meu quarto. Almoçava todos os dias, com minha avó, aquele arroz com feijão, um frango com cuminho e corante que só ela sabe fazer, o suco de maracujá aguado de minha tia, as perturbações do meu primo, meu cachorro, na minha perna, implorando por um pedaço de algo.
À noite aquele café com pão ou então uma farofa que minha outra tia, chegava do trabalho e ia fazer, eu claro não agüentava o cheiro da carne de sertão e tinha que comer um pouco com ela.
Dia de domingo, era só alegria. Meus primos todos reunidos, meu tio e alguma das suas namoradas, amigos da família. Uma mesa enorme rolava uma cervejinha, um vinho, uma lasanha, ou um pirão, ou uma feijoada. Uma verdadeira festa.
Contava os dias para o meu pai chegar de viagem. Quando era criança, toda vez que ele viajava eu ficava doente, era incrível, febre, moleza, tudo psicológico, já era a saudade que me atormentava. Quando meu pai chegava, íamos sempre almoçar fora. Á noite chegava com acarajé e guaraná, sentava-se à mesa, era muitas risadas, minha mãe e as cenas de ciúmes, sempre desconfiando que eu e meu pai estivesse aprontando alguma contra ela. Mas então, chegou o dia em que eu sair de casa.

[continua...]


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4 Comments

  • Eita, baianhinha da peste!
    Seu espaço é encantador.
    Adorei!

    Ah! Adoro a Bahia! Já fui duas vezes a Salvador, mas amo mesmo é o sul da Bahia…praias tranquilas e muitas paisagens lindas.
    Voltarei!
    Beijos

  • Eita! Essa história de sair de casa é uma realidade um tanto quanto próxima da minha. Eu já mudei 2 vezes de cidade, mas ficar sozinha ou com amigos nunca fiquei não. Acho que ano que vem isso vai acontecer.Tenho medo, fico imaginando como vou me virar, mas eu sei que a gente se adapta a tudo e que vai ser bom pra mim. A saudade é inevitável mas no meu caso pelo menos ela é boa, me faz ver o quanto as pessoas são importantes pra mim e como eu tive uma infância feliz ao lado delas! :D

    :****

  • Beijos, querida. Um lindo final de semana enluarado.

  • Ahhhh…!
    Tambem fiz um texto sobre minha familia! XD
    Trabalho da escola! =D

    *Problemas á parte, familia é igual felicidade!

    AmO-te!

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.a menina do telhado.

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