Linguagem nossa de cada dia
Depois de uma conversa com alguns amigos, na hora da despedida, ao invés do conhecido, “até logo”, foi dito por um deles, “Namastê”. A única reação na hora foi rir, e como resposta, dizer, “né brinquedo não”.
Foi então que parei para pensar, o quanto somos influenciados pela mídia. Não somente, no quesito moda e comportamento, mas também na linguagem, além de ditar os assuntos diários das rodas de amigos, a televisão dita de que forma esta conversa é exposta, através de bordões e palavras estrangeiras que ouvimos em programas de entretenimento e principalmente nas telenovelas. Sem dúvidas, o personagem que possui um bordão, é inserido no elenco em busca de audiência, visto que carrega humor, o que atrai a maioria do público que assiste as telenovelas.
Em geral os bordões são criados a partir de conversas informais, da periferia, de cidades do interior, de lugares que possuem uma linguagem própria desconhecida pela maioria da população e até mesmo de expressões já conhecidas, que são adaptadas com uma sonoridade e gestos, para chamar atenção, como exemplo o “né brinquedo não”, bordão da personagem Dona Jura, interpretada pela atriz Solange Couto da novela O Clone, da Rede Globo, que é uma adaptação de “Não é brincadeira”.
Essas novas expressões atraem o público não só pelo humor, mas também pela identificação com os personagens, e são usadas para se expressar em várias situações. O que acaba tornando a televisão uma grande indústria cultural, que cria e recria moda, comportamento e linguagem.
Hoje, devido ao sucesso, da novela “Caminho das Indias” da Rede Globo, escrita por Gloria Perez, é impossível não ouvir um “Namastê” (bom dia, boa tarde ou boa noite), ou um “tik tik”(sim,sim),é a cultura indiana invadindo a conversa dos brasileiros, graças a influência midiática.E assim aconteceu também com a novela O Clone, que também foi escrita por Gloria Perez, onde a cultura mulçumana, tomou conta do cotidiano brasileiro, expressões como “Inshalá”, ao invés de “Se Deus quiser” eram ditas enquanto a novela esteve no ar e algum tempo depois do final.
Esse empréstimo de outra língua para que possamos fazer uso no dia-a-dia, nada mais é uma ligação entre identidades culturais, povos e políticas diferentes. Conhecemos através da televisão os costumes de povos que talvez nunca fossemos conhecer, a não ser por reportagens especiais em algum programa jornalístico, que teria caráter informativo. Nunca por causa de uma reportagem, conheceríamos e fixaríamos o idioma de outro povo, como acontece com o uso do estrangeirismo nas telenovelas.
O estrangeirismo tem o lado positivo, se for usado como forma de conhecimento de outras culturas, o que acontece quando é inserido no contexto de uma novela, e não como uma forma de absorver uma cultura para o cotidiano, querendo viver de acordo com o padrão de vida daquele povo. Como exemplo dessa absorção,vemos a cultura norte-americana, o estrangeirismo norte-americano tomou conta do cotidiano dos brasileiros, de modo que hoje, quase tudo é pensando com base no modelo norte-americano.
Atchá (Tudo bem), juntando os vários sotaques brasileiros, mais os bordões e estrangeirismos mostrados nas novelas, criamos a linguagem nossa de cada dia para diferenciar e até mesmo divertir os nossos diálogos.
A televisão é uma grande fábrica de influências, a novela, como um produto dessa fábrica, não serve somente como entretenimento, com personagens engraçados e cheios de bordões, mas também para enriquecer a nossa cultura. Talvez não vamos conseguir tirar dos bordões nada mais do que humor, to certa ou to errada? Mas devemos enxergar pelo menos, o estrangeirismo como uma forma de enriquecimento da nossa linguagem, já que através dele conhecemos um pouco da cultura de outra sociedade.
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3 Responses to “Linguagem nossa de cada dia”
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Photo: “Tu, e somente tu, terá estrelas que sabem rir.”
Olá,
O espaço Jesus Minha Rocha festeja 4 anos de existência e 85.000 visitas e você faz parte dessa história. Vem comemorar comigo e traga seu mimo.
Te espero por lá.
Smack!
Edimar Suely
jesusminharocha2.zi.net
Não tenho nada contra o estrangeirismo. Creio que uma língua viva naturalmente absorve referência de outras culturas.
Acho uma bobagem por exempo aquele projeto de lei que pretendia proibir o estrangeirismo. Não da pra querer engessar uma língua viva. Verbos como deletar ou atachar, que vêem via Internet e computadores, são inevitáveis. Talvez sejam modismo, talvez venham para ficar, não importa.
E esses estrangeirismos trazidos pelas novela acabam virando bordões divertidos que se infiltram em nosso cotidiano. Minha cunhada por exemplo, usa direto o “hare-baba” para fazer graça.
Mas tem uma coisa me irrita, a substituição de palavras em português por outras estrangeiras sem necessidade alguma, apenas para ser “chic”.
Aqui em São Paulo, por exemplo, está na moda vender apartamentos com “sacada gourmet”, que nada mais é que uma sacada com lareira.
Ou, por ocasião do chamado “tsunami” na Indonésia, fiquei me perguntando, o que aconteceu com a palavra maremoto?
Os exemplos são muitos, acho melhor parar por aqui antes que esse post vire um tratado!
Beijo!
Ops, no post anterior, onde lê-se “sacad com lareira”, leia-se “sacada com churrasqueira”.
Foi mal!