Se não gosta… não veja!
Besouro – O Filme (Besouro)
Elenco: Aílton Carmo (Besouro), Anderson Santos de Jesus (Quero-Quero), Jessica Barbosa (Dinorá), Flavio Rocha, Irandhir Santos, Macalé, Leno Sacramento, Chris Vianna, Sérgio Laurentino, Adriana Alves, Miguel Lunardi.
Direção: João Daniel Tikhomiro
Roteiro: Patrícia Andrade
Besouro conta a história de um capoeirista, Manoel Henrique Porteira, nascido em Santo Amaro da Purificação na Bahia, que no ano de 1920 recebeu do seu mestre, Alípio, o dever de continuar a luta contra as injustiças cometidas aos negros. A idéia de filmar um pouco da vida desse homem considerado o maior capoeirista de todos os tempos, surgiu quando o diretor João Daniel Tikhomiro leu o livro Feijoada no Paraíso de Marco Carvalho.
O filme foi visto nas duas primeiras semanas de exibição por 240 mil pessoas levadas até o cinema pela curiosidade. Todos queriam saber quem era o capoeirista que “avuava” na telona graças aos efeitos do chinês Huen Chiu Ku, responsável pelas cenas de luta do filme Kill Bill entre outros sucessos internacionais.
Para mim o fato dele “avoar” é o mínimo nisso tudo. O filme é rico em história da capoeira, da resistência dos negros, do candomblé, conta uma parte da grande luta dos negros na valorização da sua etnia e cultura.
A presença mágica dos orixás junto com as imagens da cidade de Igatu (BA) leva para o filme o que a Bahia tem de melhor, beleza, cultura e religiosidade. A fotografia do filme, feita pelo equatoriano Enrique Chediak, é perfeita, desde as lutas de capoeira até o besouro voando entre as barracas na feira.
Se você não gosta de candomblé, capoeira, não vá para o cinema ver Besouro, não estamos precisando de mais pessoas que não valorizam e não sabem respeitar as outras culturas. Por outro lado se você se acha capaz de relativizar, dê uma olhadinha e repense suas idéias. É hora de começarmos a valorizar produções brasileiras principalmente aquelas que contam a história do Brasil, dos heróis brasileiros.
— A voz de Exú é horrível, o efeito não ficou bom, quebrou todo o encanto da caracterização; É verdade há poucas cenas de luta; O personagem Besouro passa mais tempo na “floresta”, do que lutando ou “aprontando” contra o coronel.
+++ A voz que narra alguns momentos históricos, e cenas do filme é do ator Milton Gonçalves. Na trilha sonora tem Gilberto Gil e Nação Zumbi (tô doida por essa música).
Veja mais:
Bobo desvairado 4
Quase 8 meses sem vinho, sem fumaça.
Havia largado a cachaça, as cinzas, porque tinha largado o amor?
Ou havia largado o amor, porque tinha largado a cachaça e as cinzas?
Sei que logo de cara, havia largado a primeira pessoa, o “eu”, e deixado novamente a terceira pessoa escrever por “ele”.
Não adiantavam mais as promessas, as palavras, nem mesmo o vinho.
Nada mais fazia sentido.
Era bobo, sim, desvairado ainda mais!
A rotina sufocava-o, era isso, a rotina! Por isso não havia mais cachaça, amor, cinzas, sentido.
O vinho, os maços, as ilusões, tinham virado rotina, e ele não queria mais nada disso.
O cego que agora vê, via demais.
E o que ele via, não era o que realmente queria ver.
“Bendito seja aquele que ama a rotina! Bobo e desvairado seja aquele que a odeia! Quem tu preferes ser, bendito ou bobo desvairado? Eu já sei quem prefiro ser…” (Bobo Desvairado)
Bobo Desvairado 3
Sou cego. Mas não me culpo por não ser surdo e mudo. Ouvir e falar, é algo essencial. Só que talvez, ver, seja o principal, mas, por exemplo, aqui agora nessa mesa de bar, eu prefiro mesmo é apenas ouvir essa boa música, dá gritos de alegria pelo que elas me passam, mas não quero ver, quantas garrafas já sequei ou quantos cigarros já fumei.Putx… É por isso mesmo, que cada dia mais me auto-afirmo um bobo desvairado. Com essa idéia louca de não querer enxergar algumas coisas fúteis e banais, como as garrafas vazias e os maços de cigarro, que fico cego também para coisas que não são fúteis e banais, mas essenciais.
Tinha prometido para mim, que apesar de gostar da noite, o sol ia fazer mais parte da minha vida. É por isso que hoje vos escrevo, em primeira pessoa, tomei coragem de assinar tudo àquilo que é meu de verdade. Estou cego, e cansado da terceira pessoa, que sempre por aqui escrevia palavras minhas.
Era cego. Nossa como isso me incomoda me enche de angustia. Estou bêbado, e não mais cego. A bebida me deu a visão, ou a visão me deu a bebida, os cigarros, me deu a mais boba e desvairada verdade, ofuscada por meus olhos embaçados do tanto falar e de tanto ouvir.
Eu, por mim mesmo com algumas garrafas e maços, o cego que agora vê Bobo Desvairado.
Outras do Bobo Desvairado
- ah como eu amo, ser poeta ! ( Menina do Telhado)
Bobo Desvairado 2
Estava entocado, mutilado, enterrado, no fundo de um buraco escuro o qual tinha cheiro de terra, algumas vezes molhada. Gostava de estar ali, porque tudo era previsível. O cheiro da terra molhada remetia-lhe a infância, há dias bons, em que o previsível era apenas a certeza, talvez de acordar no mesmo lugar, e o decorrer do dia não era nada previsível.
E então gostava daquele buraco escuro, as lembranças do passado eram boas, mas as do presente,nem se quer existiam,o futuro?Parecia-lhe previsivelmente previsível, estaria ali, sempre.
Tinha dias que reclamava, mas ali permanecia nada fazia.
Foi do nada (talvez do nada), que surgiu uma fresta de luz… Quem ousara pôr luz na sua escuridão?O sol… Maldito sol… Sol lembrava… Lembrava também aqueles dias… O cheiro da chuva… Sim, adorava os fins de tarde em que olhava o céu, e via chuva… Sol… Sentia a terra molhada embaixo dos seus pés, sentia o cheiro da terra molhada, sentia a vida!
Não quis tapar a fresta, não quis tapar o sol, não quis estar mais entocado, mutilado, enterrado, no fundo de um buraco escuro,quis aquilo que era seu por direito e que também por direito renegara,quis ir lá fora, quis ver o mundo outra vez.
Mania louca do ser humano de inventar a dor e permanecer nela. Procure viver apenas as dores reais, e procure o mais depressa possível acabar com elas. Lembre-se de festejar mais a vida!
(Bobo Desvairado)
Ao som de: Transfiguração – Cordel do Fogo Encantado
Bobo Desvairado 1
Amanheceu e estava tudo fora do lugar, roupas espalhadas pelo chão do quarto, lençol cobrindo a tv. Já era dia mas a vela ainda estava acesa soltando no ar o perfume de ontem,o sol não era o mesmo,o dia estava cinzento.Cinzentos sentimentos.
O cigarro era interminável, ia queimando lentamente, assim como passava as imagens de outrora na sua cabeça. Havia muitos maços de cigarros no pé da cama. Com quem estivera ontem a noite mesmo?
Não fumava, mas talvez o seu eu – ontem fumasse. A música era repetidamente a mesma no toca-fitas do seu quarto. Quanta nostalgia.
Olhou-se no espelho e buscou ver quem era ,ser quem era e viu refletida a imagem de um alguém que não era o seu eu – alguém, mas sim um outro ,aquele com quem dormira.
Adormecera nos seus próprios braços, dormira consigo mesmo, o estranho perfeito e tinha tido uma das melhores noites de prazer de sua vida.
Achou paradoxal, mas abriu outra garrafa de cachaça e anoiteceu ainda com tudo fora do lugar e pensou que aquilo jamais fora ou seria solidão.
“Permitam-se dias para si mesmo, para pensar, refletir, se decidir, não permaneça no passado, não antecipe o futuro, experimente assim como você experimenta pela primeira vez o gosto ardente da cachaça, o louco e surreal presente momento consigo mesmo”.
(Bobo desvairado)
*Novo personagem.
Fotos: www.flickr.com/photos/subindonotelhado
PlaY: Bob Marley – Redemption Song
Maria Bunita Muderna em,Vregônha.
nem credito nisso
tu num divia di ter vregônha
e tu pensa que eu num tenho tumbém naum é?
ixi maria,eu tenho inté dimais
vai dá mutcha tremedêra nas pernas
suadêra na mão
o coração vai dispará in tempu de sair pela boca
as buxexa vão tá vremêia.
mas ae vou mi alembrá das palavras bunitas
e vai sumi tudin.
vou respirá fundo,ajeita a frôr do cabelo, o vestidin rosa e abri o sorriso
e se eu vê que tu tá mais vremêio que eu
eu cubro tua vregônha sabe cumquê?
com um bucadaum
Maria Bunitá Muderna,em Tu e Eu
eu posso desejá tu
se tu fô um sujeitcho bão
se tu prometê que num vai fazê eu sufrê
eu fico uns dia cum tu
intão vosmicê já sabi
se tu quisé eu
eu vou querê tu
já qui tenho certa afeição por vosmicê
já qui vosmicê é um moço bunitu
mas se um dia
tu num quisé mais eu
num pensa tu, qui vou sufrê
ou me lamuriar pelos canto
eu vou é arrumá oto tu
pra ficá mais eu.












