Fora de foco

Levam alguns poucos segundos para que se tire uma foto desfocada. Basta uma tremida na mão, uma posição errada, um foco desajustado, algo do tipo, é muito simples, rápido e há quem goste.
Mas leva certo tempo para que algo fique fora de foco na vida. Temos a mania de remoer as coisas, e tem coisas que realmente precisam ser remoídas e ressentidas, para que se esgotem.
A dor nunca é passageira. A ferida prevalece, sempre. O que acontece, dizem por aí, é que a dor é tirada do centro das atenções. Paramos de pensar com freqüência naquilo que nos faz chorar. Demora um tempo, e apenas pequenos detalhes nos fazem reviver algo doloroso, nos fazem sentir saudade.
Um sorriso parecido, uma foto encontrada na gaveta das recordações, um déjavu, uma conversa com amigos. E o foco volta, mas muitas vezes é tão rápido quanto o disparar de um flash.
É necessário estar fora de foco tanto quanto deixar que os flashs disparem.
Isso é viver humano.
– Você se foi e estamos fora de foco, mas sempre nos permitindo ter momentos de flashs, aqueles que nos faz lembrar o seu sorriso. –









