Causos Soteropolitanos
Era um dia comum, numa semana comum.
Como assim? E desde quando na Bahia os dias são comuns? Todo dia meu rei, é um dia que entra na história seja pelas manchetes do Correio, pelas matérias do Na Mira, alguma descoberta de um vídeo sem noção no youtube ou simplesmente pelo cotidiano dos habitantes da cidade em que todo mundo é d’oxum.
Em Salvador é assim, todo dia é dia de acontecer, de fazer festa, de tomar uma, e de fazer uma oferenda rapidinha ali, um ebó rapidinho ali num poste no comércio, ninguém vai notar, coisa rápida.
Andando pelas ruas do comércio, me deparei com uma figura, vestido com uma camisa vermelha com a imagem de Iemanjá tentando a qualquer custo abrir uma garrafa de cerveja numa ponta de árvore, e ele conseguiu. E saiu a andar sussurrando alguma coisa. Deu uma volta em um poste derramando no chão a cerveja e a deixou lá. Coisa de 1 minuto. Saiu andando normalmente pela rua. E em menos de 1 minuto depois, um mendigo pega a cerveja dá uma olhadinha e uma boa golada e sai normalmente pela rua com sua boa Skol na mão.
Não deu no Correio, nem no Na Mira, também não está no youtube, mas são alguns dos causos da nossa Salvador. E aqui, meus caros, tem é causo para contar desses dias em que tudo pode e acontece.
Verão na Bahia
Levantamos mais cedo da cama, mesmo não indo trabalhar porque o calor é insuportável. Sonhamos com umas gotas de chuva, e quando ela vem, pedimos que vá, já que só piorou o calor.
Ingerimos mais liquido, e consequentemente mais cevada. Trocamos os sapatos por sandálias leves, sonhamos com o dia em que será permitido trabalhar de havaianas. Corremos para as liquidações a fim de comprar camisetas, vestidos, bermudas. Queremos nos sentir livres, leves e soltos.
Se já malhávamos feitos loucos, agora então… Mais ainda. É projeto verão, corridinha na orla. E para quem não malha, melhor ainda, mais cerva para dentro sem medo de ser feliz.
O nosso lado axézeiro, pagodeiro, regueiro fala mais alto. Abre o porta mala, lá vem o lobo mal, então sobe no teto do carrão e aproveita para mostrar o pacotão!
É reg pra lá, balada pra cá. Todo mundo na base do beijo e quem sabe depois um rebolation, mas não se esquece da camisinha hein… Porque vocês sabem que amor de verão nem sempre sobe serra.
E como todo mundo sabe e diz, é festa todo dia, e não perdemos uma. Depois do trabalho, vamos esquecer a cara do chefe, e daquele colega mala. O problema é encontrar com eles lá. Mas qualquer coisa tira foto, faz um vídeo, posta no youtube, divulga no twitter que amanhã tá na capa do correio, vira piada e hastags no twitter. Pronto, é celebridade instantânea baiana que tem mais valor ainda, e você se livra dele para sempre.
Praia no final de semana para na segunda esbanjar o bronzeado e a marquinha do biquíni.
Vamos saudar o senhor do Bonfim, Iemanjá, Oxum e Oxalá, e assim somos abençoados por todo o ano novo que enfim virá depois do carnaval.
Um ano de trabalho, estudo, sonhos e objetivos para alcançar. Continuaremos levantando cedo com ou sem calor. Na luta, na labuta, na batalha. Aqui não tem esse negócio de preguiça não meu rei. Baiano que é baiano, tá de sol a sol, de chuva a chuva, mexendo ou carregando o balaio.
Se não gosta… não veja!
Besouro – O Filme (Besouro)
Elenco: Aílton Carmo (Besouro), Anderson Santos de Jesus (Quero-Quero), Jessica Barbosa (Dinorá), Flavio Rocha, Irandhir Santos, Macalé, Leno Sacramento, Chris Vianna, Sérgio Laurentino, Adriana Alves, Miguel Lunardi.
Direção: João Daniel Tikhomiro
Roteiro: Patrícia Andrade
Besouro conta a história de um capoeirista, Manoel Henrique Porteira, nascido em Santo Amaro da Purificação na Bahia, que no ano de 1920 recebeu do seu mestre, Alípio, o dever de continuar a luta contra as injustiças cometidas aos negros. A idéia de filmar um pouco da vida desse homem considerado o maior capoeirista de todos os tempos, surgiu quando o diretor João Daniel Tikhomiro leu o livro Feijoada no Paraíso de Marco Carvalho.
O filme foi visto nas duas primeiras semanas de exibição por 240 mil pessoas levadas até o cinema pela curiosidade. Todos queriam saber quem era o capoeirista que “avuava” na telona graças aos efeitos do chinês Huen Chiu Ku, responsável pelas cenas de luta do filme Kill Bill entre outros sucessos internacionais.
Para mim o fato dele “avoar” é o mínimo nisso tudo. O filme é rico em história da capoeira, da resistência dos negros, do candomblé, conta uma parte da grande luta dos negros na valorização da sua etnia e cultura.
A presença mágica dos orixás junto com as imagens da cidade de Igatu (BA) leva para o filme o que a Bahia tem de melhor, beleza, cultura e religiosidade. A fotografia do filme, feita pelo equatoriano Enrique Chediak, é perfeita, desde as lutas de capoeira até o besouro voando entre as barracas na feira.
Se você não gosta de candomblé, capoeira, não vá para o cinema ver Besouro, não estamos precisando de mais pessoas que não valorizam e não sabem respeitar as outras culturas. Por outro lado se você se acha capaz de relativizar, dê uma olhadinha e repense suas idéias. É hora de começarmos a valorizar produções brasileiras principalmente aquelas que contam a história do Brasil, dos heróis brasileiros.
— A voz de Exú é horrível, o efeito não ficou bom, quebrou todo o encanto da caracterização; É verdade há poucas cenas de luta; O personagem Besouro passa mais tempo na “floresta”, do que lutando ou “aprontando” contra o coronel.
+++ A voz que narra alguns momentos históricos, e cenas do filme é do ator Milton Gonçalves. Na trilha sonora tem Gilberto Gil e Nação Zumbi (tô doida por essa música).
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