Conto – Bobo desvairado 5
Conto aqui no Subindo no Telhado, por que é domingo…
Acordou atordoado. E como sempre tudo – fora – no lugar.
Os maços, as garrafas, as fitas cassete.
Onde estaria a moça dos olhos de cigana?
Vontade de viver
Eram 6 da manhã e ela estava deitada na cama desde a meia noite pensando na vida, pensando em nada.
Mas não sabia ao certo o que lhe tirava o sono já que sua vida virara uma rotina. Mesmos amigos, o trabalho, a família, a casa, o vinho.
Sempre isso. Tudo isso. Nada mais.
Acreditava que o problema era esse “Nada mais”.
E então descobriu que o que lhe tirava o sono era a vontade de querer algo mais. O que lhe tirava o sono era a vontade de viver.
5,4,3,2,1…!
Estava subindo a ladeira em direção a praia, ansiosa por aquela visão, mar e lua cheia. Mas não estava ansiosa para a chegada de 2010.
Lá estava… O mar lindo e agitado, e a lua grande e brilhante.
E quando menos esperou… 5,4,3,2,1. O ano novo chegou!
Olhou para o relógio e ainda faltavam 5 minutos para a meia-noite. Mas várias champagnes já haviam sido estouradas. O seu relógio estava atrasado, talvez por isso o ano falecido, tenha sido tão desgastante. Lembrou de quando ele havia nascido, quantos planos, muitos sonhos… Tinha pulado as 7 ondinhas, jogado as mãos para o céu, derramado algumas lágrimas.
Mas e agora, que um novo ano nascera antecipado 5 minutos, chegou de surpresa, quando ninguém esperava ?
Não deu tempo para os planos, para os sonhos, para as 7 ondinhas, e muito menos para as lágrimas. Deu/Dar tempo para o inesperado, para o agora, para o já, o hoje!
a menina do telhado deseja a todos um feliz 2010 !
microcontos
Inspirações que surgiram para o twitter, postando aqui no blog para que não se perca.
Corrigindo: Queria o tempo.Pois é o único que pode fazer do mais o menos e do menos o mais.
Bobo desvairado 4
Quase 8 meses sem vinho, sem fumaça.
Havia largado a cachaça, as cinzas, porque tinha largado o amor?
Ou havia largado o amor, porque tinha largado a cachaça e as cinzas?
Sei que logo de cara, havia largado a primeira pessoa, o “eu”, e deixado novamente a terceira pessoa escrever por “ele”.
Não adiantavam mais as promessas, as palavras, nem mesmo o vinho.
Nada mais fazia sentido.
Era bobo, sim, desvairado ainda mais!
A rotina sufocava-o, era isso, a rotina! Por isso não havia mais cachaça, amor, cinzas, sentido.
O vinho, os maços, as ilusões, tinham virado rotina, e ele não queria mais nada disso.
O cego que agora vê, via demais.
E o que ele via, não era o que realmente queria ver.














