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fev 19, 2010
Jeniffer Santos

Doidas e Santas – Veneno antimonotonia

Do telhado eu vejo e sinto…

“…Até hoje, pergunta-se: para que serve a arte, para que serve a poesia?
Intelectuais se aprumam, pigarreiam e começam a responder dizendo “Veja bem…” e daí em diante é um blablablá teórico que tenta explicar o inexplicável. Poesia serve exatamente para a mesma coisa que serve uma vaca no meio da calçada de uma agitada metrópole. Para alterar o curso do seu andar, para interromper um hábito, para evitar repetições, para provocar um estranhamento, para alegrar o seu dia, para fazê-lo pensar, para resgatá-lo do inferno que é viver todo santo dia sem nenhum assombro, sem nenhum encantamento…”
2 de outubro de 2005

Martha Medeiros.

* Trecho tirado da crônica “Veneno antimonotonia” de Martha Medeiros. Estou lendo o livro Doidas e Santas que reúne as crônicas  publicadas nos jornais O Globo e Zero Hora pela escritora.

*Fica a dica para quem gosta de boas crônicas. Para fazer o download do livro, clica aqui! E boa leitura!

* TCC sobre poesia em Salvador e Cachoeira. Em breve site no ar.

mai 17, 2008
Jeniffer Santos

Sim, todos os dias eram iguais, desde o verão passado.
Bete sai de casa às 8 horas e as 10, está em cima do mini-trio daquele titulo de capitalização que faz maior sucesso na cidade. Usa um short curto vermelho, com um top azul, de tênis, cabelos longos e cacheados sempre molhados. O sol é escaldante e Bete com aquele sorrisão largo estampado no rosto,rebola,vira e mexe ,solta beijos, para aqueles tarados da construção e para os bêbados dos bares em ruas por onde passa o mini-trio.
Na hora do almoço, é quase sempre misto requentado e aqueles sucos de caixinha. Dá graças a Deus quando chega a tarde e o calor diminui. É sempre a mesma música, a mesma dança, o mesmo sorriso no rosto. Parece que gosta, vai ver até gosta, não sei. Os homens gostam, as mulheres olham com despeito, as senhorinhas acham uma pouca vergonha. E Bete?Bem… Bete não liga, mas Bernadete sim.
Bernadete usa popa no cabelo, saias compridas, blusas de manga, têm filhos, esposo e freqüenta a igreja todas as noites. Bete e Bernadete nunca se encontram, mas os vizinhos, a sociedade encontram-nas, principalmente nas conversas diárias de quem não tem o que fazer.
Photos/Subindo no Telhado———————

.elo eterno.

Mais fotos: www.flickr.com/photos/subindonotelhado

Do telhado eu vejo e sinto———————

“Essa noite eu só queria um colo e o aconchego confortável de sua presença, porque tenho frio e cansaço, e minha alma criança reclama abrigo e descanso. Essa noite eu não posso fazer poesia nem flutuar nas palavras, porque o imenso peso da minha angústia me prende numa gravidade onde só quero derramar tristeza. Essa noite eu não enxergo mais nenhuma estrela nem ouço mais nenhum conselho bonito, porque tudo em mim é doloroso, e toda lembrança vira martírio”.

Menina Lunarhttp://meninalunar.blogspot.com/

.a menina do telhado.

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