Cordel de Antônio Barreto
A PROFESSORA QUE TROCOU A SALA DE AULA PELA BAIXARIA DO PAGODÃO
Autor: Antonio Barreto
Essa história na Internet
Foi deveras divulgada
E também pela Imprensa
Que não se fez de rogada
E agora a professora
Por muitos foi aclamada
Que me perdoe Jesus Cristo
Qualquer Santo, Barrabás
Mas acho que a professora
Quis mesmo ganhar cartaz
Na TV, na internet
Nas revistas e jornais.
Tudo isso aconteceu
Lá no tal do Malagueta
(Em Salvador da Bahia)
Onde existe só mutreta…
Foi aí que a professora
Quase monta na “lambreta”.
A “inocente” professora
Resolveu dançar pagode
Ao ritmo de uma banda
Onde a baixaria explode
Cujo nome é o “O Troco
Que nem o diabo pode.
Para não ser radical
Busquei a neutralidade
Transformando em cordel
Aqui em nossa cidade
A fala das professoras
Que têm credibilidade:
— Nossa música baiana
Que é tanto elogiada
Transformou-se em besteirol
E deixou desempregada
Uma jovem professora
Que dançou “toda enfiada”!
— Logo uma professora
De educação infantil
Resolve subir no palco
E mostrar seu bundaril
Ao som de “Todo Enfiado”
Na voz de Mário Brasil !
— Percebam que a professora
Não tem jeito de quem pensa…
Ela ficou bem feliz
Com o Ibope na Imprensa.
Mas será que a baixaria
É algo que recompensa?
— Empresários, radialistas
Jornalistas canibais
Usaram o Padre Pinto
De uma forma voraz
E agora é a Jaqueline:
Professora ineficaz.
— Agora qualquer bandido
Vagabundo, estuprador
Ladra, estelionatário
Sem caráter sem pudor
Já podem fazer sucesso
Na imprensa de Salvador.
— Não somente em Salvador,
No Brasil, no mundo inteiro
Muitos fazem armação
Por cartaz e por dinheiro
E uma parte da imprensa
Está virando puteiro.
— Quando falo em Imprensa
Sei que existe exceção.
Jornalistas e jornais
Expressivos da Nação
Trabalham com muita ética
Respeito e dedicação.
— Se ligamos a TV
Só vemos hipocrisia
Nas emissoras de rádio
Qualquer um se arrepia:
Radialistas de esportes
Mandam ver na baixaria.
— E prossegue o bacanal
Em programas, em novelas
Onde gente picareta
Logo está nas passarelas…
Que me digam os “big brother”
As “Chuchas”, as “Cicarelas”…
— O Sarney também “dançou”
No espelho do Senado
Com denúncias comprovadas
E não foi penalizado
Portanto, pró Jaqueline:
Estou sempre do seu lado…
— Parabéns para você
Minha doce professora
Que com 26 aninhos
É a grande detentora
De mestra mais conhecida
Dessa classe sofredora.
— Se fosse pesquisadora
Professora exemplar
Envolvida seriamente
Com a arte de educar
As rádios da baixaria
Não iriam endeusar.
— Parabéns pró Jaqueline
Com o sucesso alcançado
A armação foi perfeita
O jornal tá do seu lado.
Mas você desmoraliza
O nosso professorado.
— Gostei do jornal A Tarde
Que manteve a sua ética
Não deu vez a professora
Pagodeira, “analfabética”
Que usou a Educação
De maneira tão patética.
— Quero que ela ensine
Como podemos gravar
Uma cena bem erótica
E em seguida divulgar
Nos jornais, na internet
E depois ser pop star.
— Parabéns às emissoras
De rádio e televisão
Revistas, blogs e jornais
Que não deram atenção
A professora maluca
Que não ama a Educação
— Cuidado professorinha
Não se empolgue com a fama.
Todos querem te usar
Na imprensa e na cama.
E no fim de tudo isso:
Tu verás o mar de lama.
— A Jaqueline assumiu
Que estava embriagada:
Duas garrafas de uísque
E cervejinha gelada.
Só não sabemos se ela
Estava também “cheirada” !
— Jaqueline, minha amiga
Respeite Emilia Ferreiro
Bety Coelho, Olga Mettig
E todo grande celeiro
De professoras que honram
Nosso povo brasileiro.
— Respeite as educadoras
Da Rede Municipal
Escolas particulares
E da Rede Estadual
Curso pré-vestibular
Faculdades em geral.
Eu contemplo a hipocrisia
Para não ser execrado.
Vão dizer que sou careta
Caipira e ultrapassado.
Então deixo que o povo
Julgue o certo e o errado.
*Esse cordel foi recitado no Caruru dos 7 Poetas, dia 26/09 em Cachoeira/BA.
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Photo: “Tu, e somente tu, terá estrelas que sabem rir.”