Coisas da Vida – In Silence

Acompanhar as imagens da devastação ocorrida no Japão, em vários momentos, causou-me um estado de choque seguido por uma onda de sentimentos confusos, angustiantes e revoltantes…
Por alguns instantes sofri. Sofri intensamente. Mas não foi por ter me imaginado naquela situação – o que seria normal, uma vez que o espírito de solidariedade só é possível graças à capacidade que temos de nos colocar no lugar do outro –, pois isso me foi impossível. Sofri justamente por não conseguir me imaginar naquela situação; sofri porque com isso compreendi que a dor, o sofrimento e o desespero daquelas pessoas é algo imaginável; sofri pelo meu egoísmo – por não conseguir fazer a associação com o sofrimento alheio e por pegar-me, inconscientemente, agradecendo por não estar passando por tudo isso; sofri, também, pelo egoísmo alheio, pois a sociedade parece estar imune ao sofrimento dos seus; sofri naquele rápido instante; volto a sofrer ao relembrar daquelas cenas para poder traçar essas poucas linhas; sofrerei cada vez que precisar recordar para poder contar às futuras gerações…
A vida é uma caixinha de surpresa. Algumas vezes com uma linda bailarina a dançar. Noutras com cenas recheadas com os mais mirabolantes acontecimentos dignos das superproduções Hollyoodianas. Realmente a vida é uma caixinha de surpresa. E se não bastasse toda essa dor causada pelas catástrofes naturais essas pobres criaturas, os japoneses, são obrigados a sofrerem ainda mais um pouco. Como se sofrer uma vez já não fosse o bastante. Essas infelizes criaturas são obrigadas a sofrem um pouco mais por causa da ganância do próprio homem; da crueldade dos que se deixam dominar pelo vício do poder.
Os que por (in)felicidade tiveram a sorte de sobreviver carrega, agora, consigo cicatrizes profundas demais que jamais serão fechadas. E como se já não fosse o bastante, as marcas que a vida lhes impunha na própria carne, essa gente sofrida ainda corre o risco de serem também marcadas em seu DNA.

A caixinha da vida não se cansa de nos surpreender. A ganância pelo poder torna insano até os mais “inteligentes” dos homens que sob a égide do positivismo chamam de ciência os mais terríveis e abomináveis atos, canalizando, assim, todo seu potencial para a destruição da sua própria espécie – o que Tomas Hobbes chamou de “homo homini lúpus” (“O homem é o lobo do próprio homem”). E é em nome desse progresso que a espécie humana é colocada em constantes situações de riscos, como se fossemos ratos de laboratórios, por uma corja de NeoHitleres. Sim, Hitler também alegou fazer o que fez em nome dessa mesma ciência e na busca desse mesmo progresso.
A dor que sentia agora dá lugar a sentimentos de repúdio, ódio e descrença na raça humana. Pois é inevitável, ao menos para mim, acompanhar toda essa tragédia e balburdia – aqui faço menção ao risco de contaminação nuclear a qual os japoneses estão sujeitos e que não temos a menor ideia do que de fato está acontecendo – sem recordar-me dos episódios de 1945 em Hiroshima e Nagasaki, onde milhares de pessoas morreram, muitas tiveram suas vidas arruinadas e outras tantas foram marcadas de forma tão profunda que transmitiram suas cicatrizes ás suas futuras gerações.
Por ironia da vida ou por travessura do destino parece que a história mais uma vez se repetirá. É bem verdade que os elementos que a compõem não são os mesmo, mas os motivos que a impulsiona, esses sim, não mudaram.
Não importa o que lhe venha custar. O preço a ser cobrado. Definitivamente a raça humana parece não ter aprendido com os seus próprios erros. Será que vale realmente a pena expor, dessa forma, a espécie humana em prol da ciência e da tecnologia? Será mesmo tudo isso uma evolução? Todos esses sacrifícios são em benefícios e interesses de quem?
Diante de tudo isso só resta uma certeza. “Talvez a maior lição da história seja que ninguém aprendeu as lições da história” (Aldous Huxley).
Imagens: O tsunami vira arte e vai a leilão em Paris










Pois é, Cello, concordo quando vc cita que “Talvez a maior lição da história seja que ninguém aprendeu as lições da história” , por que é observando o passado, aprendendo com os erros e planejando o futuro, que teremos a oportunidade de tomar decisões mais acertadas e assim termos um presente mais feliz!! E quanto a catastrofe no Japão, realmente lamentável e só Deus para consolar os corações e dar forças para prosseguir vivendo. Beijo!!