Causos Soteropolitanos 2
Era um dia a tarde, ainda bem que o buzú não estava lotado. BusTV quebrado, tela toda escura. Só dava para ouvir a voz da mocinha que toda hora anunciava alguma coisa e em seguida tocava a música “Na base do beijo” de Ivete Sangalo. Isso se repetiu por três vezes! Três vezes!!!!!!!!!!! Eu não agüentava mais ouvir “comigo é na base do beijo, comigo é na base do amor”. E infelizmente tinha esquecido meu fone de ouvido em casa.
Mas eis que entra a salvação: um deficiente visual sanfoneiro que começou a tocar aqueles forrozins baum danado, de uma época maravilhosa, o São João. Logo ele virou a atração do buzú, e era impossível não ver uma perna ou cabeça balançando, ou um sorriso num canto da boca dos passageiros. E é claro o olhar curioso de uma criança, que mudou até de lugar para ver de perto aquela cena.
Incrível, ele tocar tão bem! Dando uma de psicóloga barata, imagino que com a perda da visão ele aprendeu a aprimorar outros sentidos, como a audição e o tato. E então eu penso do jeito que o mundo está, onde não temos mais o hábito de ouvir os outros, e muitos de tocar no outro, será que vamos ter que perder algo, para começar a aprimorar os nossos outros sentidos?
Ê Salvador que nos inspira, ensina e nos intriga.
Água de cheiro, flores e vestido branco
Acordou com o despertador. Acordou com março. Segunda-feira. O mês começava, a semana começava. Mais um recomeço.
Estava tudo preparado. Água de cheiro, flores, vestido branco. Faltava o mar. Mas tinha certeza de que não era ela quem precisava de uma renovação, mas sim as coisas e as pessoas que estavam ao seu redor.
Começou espalhando pétalas de flores no quarto, não sabia ao certo o que dizer. Mas sabia que tinha de ser bons pensamentos. Nada de pedidos, apenas boas vibrações, boas energias.
Depois foi a vez da água de cheiro, perfumou ainda mais a casa. Mais uma vez bons pensamentos.
Após o ritual, ela estava exausta. Acreditava que tudo de ruim que havia naquele lugar, estava pesando nos seus ombros. Sentiu-se cansada. Daquela vida¿ Daquele lugar¿ Daquela rotina¿ Sim.
Mas não adianta. Não há água de cheiro, flor e vestido branco que mude as outras pessoas, que acabe com a má energia de um lugar.
É você! Você que tem que mudar. A água de cheiro, as flores e os bons pensamentos tem que ser para você. Primeiro você muda, depois pensa em mudar o mundo!
Causos Soteropolitanos
Era um dia comum, numa semana comum.
Como assim? E desde quando na Bahia os dias são comuns? Todo dia meu rei, é um dia que entra na história seja pelas manchetes do Correio, pelas matérias do Na Mira, alguma descoberta de um vídeo sem noção no youtube ou simplesmente pelo cotidiano dos habitantes da cidade em que todo mundo é d’oxum.
Em Salvador é assim, todo dia é dia de acontecer, de fazer festa, de tomar uma, e de fazer uma oferenda rapidinha ali, um ebó rapidinho ali num poste no comércio, ninguém vai notar, coisa rápida.
Andando pelas ruas do comércio, me deparei com uma figura, vestido com uma camisa vermelha com a imagem de Iemanjá tentando a qualquer custo abrir uma garrafa de cerveja numa ponta de árvore, e ele conseguiu. E saiu a andar sussurrando alguma coisa. Deu uma volta em um poste derramando no chão a cerveja e a deixou lá. Coisa de 1 minuto. Saiu andando normalmente pela rua. E em menos de 1 minuto depois, um mendigo pega a cerveja dá uma olhadinha e uma boa golada e sai normalmente pela rua com sua boa Skol na mão.
Não deu no Correio, nem no Na Mira, também não está no youtube, mas são alguns dos causos da nossa Salvador. E aqui, meus caros, tem é causo para contar desses dias em que tudo pode e acontece.
Verão na Bahia
Levantamos mais cedo da cama, mesmo não indo trabalhar porque o calor é insuportável. Sonhamos com umas gotas de chuva, e quando ela vem, pedimos que vá, já que só piorou o calor.
Ingerimos mais liquido, e consequentemente mais cevada. Trocamos os sapatos por sandálias leves, sonhamos com o dia em que será permitido trabalhar de havaianas. Corremos para as liquidações a fim de comprar camisetas, vestidos, bermudas. Queremos nos sentir livres, leves e soltos.
Se já malhávamos feitos loucos, agora então… Mais ainda. É projeto verão, corridinha na orla. E para quem não malha, melhor ainda, mais cerva para dentro sem medo de ser feliz.
O nosso lado axézeiro, pagodeiro, regueiro fala mais alto. Abre o porta mala, lá vem o lobo mal, então sobe no teto do carrão e aproveita para mostrar o pacotão!
É reg pra lá, balada pra cá. Todo mundo na base do beijo e quem sabe depois um rebolation, mas não se esquece da camisinha hein… Porque vocês sabem que amor de verão nem sempre sobe serra.
E como todo mundo sabe e diz, é festa todo dia, e não perdemos uma. Depois do trabalho, vamos esquecer a cara do chefe, e daquele colega mala. O problema é encontrar com eles lá. Mas qualquer coisa tira foto, faz um vídeo, posta no youtube, divulga no twitter que amanhã tá na capa do correio, vira piada e hastags no twitter. Pronto, é celebridade instantânea baiana que tem mais valor ainda, e você se livra dele para sempre.
Praia no final de semana para na segunda esbanjar o bronzeado e a marquinha do biquíni.
Vamos saudar o senhor do Bonfim, Iemanjá, Oxum e Oxalá, e assim somos abençoados por todo o ano novo que enfim virá depois do carnaval.
Um ano de trabalho, estudo, sonhos e objetivos para alcançar. Continuaremos levantando cedo com ou sem calor. Na luta, na labuta, na batalha. Aqui não tem esse negócio de preguiça não meu rei. Baiano que é baiano, tá de sol a sol, de chuva a chuva, mexendo ou carregando o balaio.
“Amor Virtual” – Relacionamentos mediados pela internet
Essa procura mudou do âmbito familiar para o grupo de amigos, quando as pessoas resolveram casar por amor. Homens e mulheres passaram a freqüentar barzinhos, festas, lugares públicos, a prestar mais atenção nas pessoas que estavam no local de trabalho, na vizinhança, tudo em busca de um par para um encontro. Havia troca de números de telefones, e até mesmo de cartas para que se mantivesse o contato.
O chamado “namoro à antiga” era onde o homem e a mulher se conheciam por alguma dessas formas citadas, em seguida o rapaz pedia a família da moça, para namorar, namoravam por longos anos e em seguida noivavam, e por fim havia o casamento.
Algo que aconteceu para quebrar esse padrão de namoro foi uma revolução sexual nas décadas de 1960 e 1970, em que o sexo antes do casamento passou a ser fator fundamental nas relações amorosas. Essa revolução deu-se por causa da diminuição da religiosidade, o surgimento dos anticoncepcionais e a emancipação feminina.
No final do século XX, os computadores, foram ligados em rede, formando a internet, que passaria a ser mais um meio de comunicação entre as pessoas em um mundo virtual, chamado de ciberespaço.
O termo ciberespaço foi criado pelo escritor de ficção cientifica William Gibson em seu Neuromancer, em 1984. Para Gibson (apud LEMOS, 2004, P. 127), o ciberespaço é um espaço não-fisico ou territorial composto por um conjunto de redes de computadores através das quais todas as informações (sob as suas mais diversas formas) circulam.
“O ciberespaço é um espaço sem dimensões, um universo de informações navegável de forma instantânea e reversível.” (LEMOS 2004, p. 128).
O ciberespaço trouxe mais algumas formas de comunicação: emails, salas de bate-papo, redes sociais, como Orkut, MSN, facebook, twitter, blogs. A instantaneidade, e a possibilidade de se conectar com o mundo através de um clique, chamaram atenção de todos. Hoje as pessoas usam o ciberespaço e suas redes sociais, para interagir e procurar parceiros, o que fez surgir um novo tipo de relacionamento, os relacionamentos virtuais. Relacionamentos mediados por emails, scraps, posts em blogs, conversas pelo MSN.
No ciberespaço é possível ser quem você quiser, o fato de estar atrás de uma tela de computador, faz com que pessoas tímidas, usem mais a internet como forma para encontrar parceiros.
O que acontece inicialmente é, ao teclar com alguém, você se interessa no que a pessoa tem a dizer e não a mostrar. Em um barzinho, a aproximação acontece mais pela atração física, enquanto que na internet como muitas vezes, você não vê a pessoa, primeiramente há o interesse na conversa.
No ano de 2007, uma pesquisa realizada pelo IBOPE, constatou que 20,1 milhões de brasileiros acessam a internet diretamente de casa e que as páginas mais visitadas são os buscadores, portais e redes sociais. Dessa forma podemos perceber que hoje uma das principais fontes para se conhecer um parceiro é a internet e suas redes sociais.
Houve assim a inversão da forma que se tinha antigamente para conhecer pessoas. Antes, as pessoas iam a barzinhos, boates, com a finalidade de conhecer novas pessoas, e a partir disso manter algum relacionamento. Hoje, é o contrario, há troca de emails, Orkut e MSN, para se conhecer, descobrir afinidades, trocar informações um sobre a vida do outro, para depois disso acontecer ou não o encontro pessoalmente.











estou lendo "Comer, Rezar, Amar"