Causos Soteropolitanos 2
Era um dia a tarde, ainda bem que o buzú não estava lotado. BusTV quebrado, tela toda escura. Só dava para ouvir a voz da mocinha que toda hora anunciava alguma coisa e em seguida tocava a música “Na base do beijo” de Ivete Sangalo. Isso se repetiu por três vezes! Três vezes!!!!!!!!!!! Eu não agüentava mais ouvir “comigo é na base do beijo, comigo é na base do amor”. E infelizmente tinha esquecido meu fone de ouvido em casa.
Mas eis que entra a salvação: um deficiente visual sanfoneiro que começou a tocar aqueles forrozins baum danado, de uma época maravilhosa, o São João. Logo ele virou a atração do buzú, e era impossível não ver uma perna ou cabeça balançando, ou um sorriso num canto da boca dos passageiros. E é claro o olhar curioso de uma criança, que mudou até de lugar para ver de perto aquela cena.
Incrível, ele tocar tão bem! Dando uma de psicóloga barata, imagino que com a perda da visão ele aprendeu a aprimorar outros sentidos, como a audição e o tato. E então eu penso do jeito que o mundo está, onde não temos mais o hábito de ouvir os outros, e muitos de tocar no outro, será que vamos ter que perder algo, para começar a aprimorar os nossos outros sentidos?
Ê Salvador que nos inspira, ensina e nos intriga.
Presente para a menina do telhado
Hoje, ganhei um presente digital mas que tem um valor mágico, lindo. O artista Pareta Calderasch fez essa montagem linda de uma foto minha com um poema dele, ” é minha visão de você enquanto fotógrafa, e todo fotógrafo é observador e estudioso das pessoas”, disse Pareta depois de me enviar a montagem por depoimento no orkut.
Eu só tenho que agradecer muito por este belo presente! Muito obrigada \o/
Conheci Pareta por conta do meu trabalho de conclusão de curso que é um site sobre poetas baianos, está em construção ainda: www.poesiabaiana.com.br
+ sobre Pareta
*Certa vez o querido Paulo Dauria escreveu um poema sobre a menina em cima do telhado.
A vida é feito andar de bicicleta
Em comemoração ao Dia da Poesia, ouçam uma música/poema de Gabriel Pensador na voz do artista baiano Pareta Calderasch.
Algumas poesias da minha autoria.
Água de cheiro, flores e vestido branco
Acordou com o despertador. Acordou com março. Segunda-feira. O mês começava, a semana começava. Mais um recomeço.
Estava tudo preparado. Água de cheiro, flores, vestido branco. Faltava o mar. Mas tinha certeza de que não era ela quem precisava de uma renovação, mas sim as coisas e as pessoas que estavam ao seu redor.
Começou espalhando pétalas de flores no quarto, não sabia ao certo o que dizer. Mas sabia que tinha de ser bons pensamentos. Nada de pedidos, apenas boas vibrações, boas energias.
Depois foi a vez da água de cheiro, perfumou ainda mais a casa. Mais uma vez bons pensamentos.
Após o ritual, ela estava exausta. Acreditava que tudo de ruim que havia naquele lugar, estava pesando nos seus ombros. Sentiu-se cansada. Daquela vida¿ Daquele lugar¿ Daquela rotina¿ Sim.
Mas não adianta. Não há água de cheiro, flor e vestido branco que mude as outras pessoas, que acabe com a má energia de um lugar.
É você! Você que tem que mudar. A água de cheiro, as flores e os bons pensamentos tem que ser para você. Primeiro você muda, depois pensa em mudar o mundo!
Causos Soteropolitanos
Era um dia comum, numa semana comum.
Como assim? E desde quando na Bahia os dias são comuns? Todo dia meu rei, é um dia que entra na história seja pelas manchetes do Correio, pelas matérias do Na Mira, alguma descoberta de um vídeo sem noção no youtube ou simplesmente pelo cotidiano dos habitantes da cidade em que todo mundo é d’oxum.
Em Salvador é assim, todo dia é dia de acontecer, de fazer festa, de tomar uma, e de fazer uma oferenda rapidinha ali, um ebó rapidinho ali num poste no comércio, ninguém vai notar, coisa rápida.
Andando pelas ruas do comércio, me deparei com uma figura, vestido com uma camisa vermelha com a imagem de Iemanjá tentando a qualquer custo abrir uma garrafa de cerveja numa ponta de árvore, e ele conseguiu. E saiu a andar sussurrando alguma coisa. Deu uma volta em um poste derramando no chão a cerveja e a deixou lá. Coisa de 1 minuto. Saiu andando normalmente pela rua. E em menos de 1 minuto depois, um mendigo pega a cerveja dá uma olhadinha e uma boa golada e sai normalmente pela rua com sua boa Skol na mão.
Não deu no Correio, nem no Na Mira, também não está no youtube, mas são alguns dos causos da nossa Salvador. E aqui, meus caros, tem é causo para contar desses dias em que tudo pode e acontece.











Photo: “Tu, e somente tu, terá estrelas que sabem rir.”