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ago 13, 2011
Jeniffer Santos

Por ser um bobo desvairado…

 

Ele tinha encontrado alguém. E ainda não sabia se havia sido na Rua 6 com a 9, no cortiço de Dona Nininha, no puteiro de Madame Boulevard. Mas era fato de que Ela já estava no seu bobo e desvairado coração.

Por conta disso havia penteado o cabelo no estilo mauricinho com gel e tudo mais. Não havia maços espalhados pela casa, garrafas vazias no canto, e deixou apenas a mostra as fitas-cassete de Djavan, Cazuza e Renato Russo.

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fev 21, 2011
Jeniffer Santos

Conto – Bobo desvairado 5

Conto aqui no Subindo no Telhado, por que é domingo

Acordou atordoado. E como sempre tudo –  fora –  no lugar.

Os maços, as garrafas, as fitas cassete.

Onde estaria a moça dos olhos de cigana?

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out 26, 2009
Jeniffer Santos

Bobo desvairado 4

1534

Quase 8 meses sem vinho, sem fumaça.

Havia largado a cachaça, as cinzas, porque tinha largado o amor?

Ou havia largado o amor, porque tinha largado a cachaça e as cinzas?

Sei que logo de cara, havia largado a primeira pessoa, o “eu”, e deixado novamente a terceira pessoa escrever por “ele”.

Não adiantavam mais as promessas, as palavras, nem mesmo o vinho.

Nada mais fazia sentido.

Era bobo, sim, desvairado ainda mais!

A rotina sufocava-o, era isso, a rotina! Por isso não havia mais cachaça, amor, cinzas, sentido.

O vinho, os maços, as ilusões, tinham virado rotina, e ele não queria mais nada disso.

O cego que agora vê, via demais.

E o que ele via, não era o que realmente queria ver.


“Bendito seja aquele que ama a rotina! Bobo e desvairado seja aquele que a odeia! Quem tu preferes ser, bendito ou bobo desvairado? Eu já sei quem prefiro ser…” (Bobo Desvairado)

Outras do Bobo Desvairado, leia!

mar 30, 2009
Jeniffer Santos

Bobo Desvairado 3

Sou cego. Mas não me culpo por não ser surdo e mudo. Ouvir e falar, é algo essencial. Só que talvez, ver, seja o principal, mas, por exemplo, aqui agora nessa mesa de bar, eu prefiro mesmo é apenas ouvir essa boa música, dá gritos de alegria pelo que elas me passam, mas não quero ver, quantas garrafas já sequei ou quantos cigarros já fumei.
Putx… É por isso mesmo, que cada dia mais me auto-afirmo um bobo desvairado. Com essa idéia louca de não querer enxergar algumas coisas fúteis e banais, como as garrafas vazias e os maços de cigarro, que fico cego também para coisas que não são fúteis e banais, mas essenciais.
Tinha prometido para mim, que apesar de gostar da noite, o sol ia fazer mais parte da minha vida. É por isso que hoje vos escrevo, em primeira pessoa, tomei coragem de assinar tudo àquilo que é meu de verdade. Estou cego, e cansado da terceira pessoa, que sempre por aqui escrevia palavras minhas.
Era cego. Nossa como isso me incomoda me enche de angustia. Estou bêbado, e não mais cego. A bebida me deu a visão, ou a visão me deu a bebida, os cigarros, me deu a mais boba e desvairada verdade, ofuscada por meus olhos embaçados do tanto falar e de tanto ouvir.

Eu, por mim mesmo com algumas garrafas e maços, o cego que agora vê Bobo Desvairado.

Outras do Bobo Desvairado

- ah como eu amo, ser poeta ! ( Menina do Telhado)

ago 21, 2008
Jeniffer Santos

Bobo Desvairado 2

Estava entocado, mutilado, enterrado, no fundo de um buraco escuro o qual tinha cheiro de terra, algumas vezes molhada. Gostava de estar ali, porque tudo era previsível. O cheiro da terra molhada remetia-lhe a infância, há dias bons, em que o previsível era apenas a certeza, talvez de acordar no mesmo lugar, e o decorrer do dia não era nada previsível.
E então gostava daquele buraco escuro, as lembranças do passado eram boas, mas as do presente,nem se quer existiam,o futuro?Parecia-lhe previsivelmente previsível, estaria ali, sempre.
Tinha dias que reclamava, mas ali permanecia nada fazia.
Foi do nada (talvez do nada), que surgiu uma fresta de luz… Quem ousara pôr luz na sua escuridão?O sol… Maldito sol… Sol lembrava… Lembrava também aqueles dias… O cheiro da chuva… Sim, adorava os fins de tarde em que olhava o céu, e via chuva… Sol… Sentia a terra molhada embaixo dos seus pés, sentia o cheiro da terra molhada, sentia a vida!
Não quis tapar a fresta, não quis tapar o sol, não quis estar mais entocado, mutilado, enterrado, no fundo de um buraco escuro,quis aquilo que era seu por direito e que também por direito renegara,quis ir lá fora, quis ver o mundo outra vez.

Mania louca do ser humano de inventar a dor e permanecer nela. Procure viver apenas as dores reais, e procure o mais depressa possível acabar com elas. Lembre-se de festejar mais a vida!
(Bobo Desvairado)


Ao som de: Transfiguração – Cordel do Fogo Encantado

mai 8, 2008
Jeniffer Santos

Bobo Desvairado 1

Amanheceu e estava tudo fora do lugar, roupas espalhadas pelo chão do quarto, lençol cobrindo a tv. Já era dia mas a vela ainda estava acesa soltando no ar o perfume de ontem,o sol não era o mesmo,o dia estava cinzento.Cinzentos sentimentos.
O cigarro era interminável, ia queimando lentamente, assim como passava as imagens de outrora na sua cabeça. Havia muitos maços de cigarros no pé da cama. Com quem estivera ontem a noite mesmo?
Não fumava, mas talvez o seu eu – ontem fumasse. A música era repetidamente a mesma no toca-fitas do seu quarto. Quanta nostalgia.
Olhou-se no espelho e buscou ver quem era ,ser quem era e viu refletida a imagem de um alguém que não era o seu eu – alguém, mas sim um outro ,aquele com quem dormira.
Adormecera nos seus próprios braços, dormira consigo mesmo, o estranho perfeito e tinha tido uma das melhores noites de prazer de sua vida.
Achou paradoxal, mas abriu outra garrafa de cachaça e anoiteceu ainda com tudo fora do lugar e pensou que aquilo jamais fora ou seria solidão.



“Permitam-se dias para si mesmo, para pensar, refletir, se decidir, não permaneça no passado, não antecipe o futuro, experimente assim como você experimenta pela primeira vez o gosto ardente da cachaça, o louco e surreal presente momento consigo mesmo”.
(Bobo desvairado)




*Novo personagem.
Fotos: www.flickr.com/photos/subindonotelhado
PlaY: Bob Marley – Redemption Song

.a menina do telhado.

Para inspirar

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