Horário de Barão

O que pensam os milhares de trabalhadores que cotidianamente saem para trabalhar antes mesmo do sol raiar? E o que dizem os que trabalham no comércio – que diariamente já são explorado tanto pela mais-valia quanto pelas horas excedentes nas suas jornadas de trabalho, da qual a grande maioria não recebem absolutamente nada?
É engraçado como os governos, em seus discursos, pregam e defendem o zelo pela democracia, mas as suas atribuições práticas não são condizentes e, em alguns casos, assumem posturas plenamente déspotas. Qual será o conceito de democracia conhecido e utilizado pelos nossos governantes – quer no poder Executivo, Legislativo ou Judiciário?
Um plebiscito não seria a veia mais democrática para se resolver a questão em pauta? Ou a opinião pública não tem valor algum – para os detentores do poder – quando se pensam em tomar decisões que afetarão diretamente ao povo?
Não! São levadas em consideração sim. Isso pode ser percebido claramente na fala de Sua Excelência o Governado Jaques Wagner quando este diz que “não vejo sentido de a Bahia ficar de fora, até porque o prejuízo para quem acorda muito cedo é compensado à noite” .
Particularmente, prefiro nem comentar.
15 minutinhos…

365 dias sofremos com o desprezo social; 200 dias letivos somos explorados, violentados e humilhados… Tudo isso rapidamente esquecido para se viver uns 15 minutinhos de atenção.
Não precisamos e nem queremos, holofotes, fama ou glamour. Respeito e dignidade já se constituem um bom princípio.
Princípio… Isso é o que falta na sociedade brasileira. A “pátria que me pariu” vem se deixando corromper a cada dia, um pouco mais… Abdicando, dessa forma, da sua moral.
Arrumando o Telhado
Bom…vou contar uma breve história para vocês:
O subindo no telhado foi/é/sempre será um blog literário, tá na sua raiz ( lá em 2007). Passou pelo blogspot, onde eu tinha uma rede de contatos literários maravilhosos, e o fato é que não fui fiel a esses leitores e acabei misturando as coisas quando passei para faculdade de Jornalismo.
O subindo no telhado foi sofrendo modificações de acordo com andamento da faculdade. Era o espaço em que eu podia compartilhar minhas ideias, então fazia por aqui mesmo, misturando comunicação e literatura.
Mas, 2011 chegou! Já passou a fase do oba-oba me formei e agora temos que focar no que é realmente importante. E sim, o subindo no telhado e a literatura são importantes para mim, preciso escrever contos, crônicas e poesias, isso tudo faz bem para mim.
Só que preciso focar também no lado profissional, e acredito que blogs estão aí ajudando muita gente a se projetar em muitas areas profissionais. Então por isso, vamos separar o joio do trigo, o pão da manteiga, o vinho do amante, a literatura da comunicação.
O subindo no telhado vai voltar as raízes. Em março será um blog totalmente literário. Assim como em março terei um novo blog com foco em comunicação e cultura digital.
Serão dois ambientes totalmente diferentes mas que resume a Jeniffer Santos.
Antes dessa mudança (layout, marca) não postarei por aqui.
Então, em março, a gente se encontra aqui, se você curte literatura e no meu novo canto sobre comunicação (em breve divulgo o link).
Beijos da menina do telhado.
(já posso voltar a assinar assim, Arnaldo?)
Jauperi, sofisticação no axé
Hoje eu acordei com uma vontade danada de… Falar de JAUPERI!
Lembro que adorava a música “Topo do Mundo” gravada por Daniela Mercury, e então descobri que a música não era dela, mas sim de um tal Jauperi. E enfim pude ver quem era o cara dono daquela música linda que não saia do meu play. Passei a gostar de “café com pão”, da “flor de maracujá” e é claro de Jau.
O show do menino que tocava no Olodum aos 17 anos, e que junto com o grupo rodou o país e o mundo espalhando seu bom gosto e sua linda voz, é algo inexplicável, ou melhor, alucinante. O novo cd lançado em 2009, intitulado “Miolo”, está recheado dessa mistura que hoje é a música de Jauperi.
Um pouco do toque afro, letras poéticas interpretadas com um sorriso no rosto, com a alma e acompanhadas de um bom vinho resulta em sofisticação no axé que hoje é traduzida em um nome, JAUPERI!
+ Jauperi:
MySpace de Jauperi
Flickr Oficial
Letras de músicas
Cd Miolo para download
A minha preferida:
Cidade Dos Poetas
Composição: Jauperi
Quando o verão chegar
Quero te encontrar
No calor do sol e o mar
Namoro na areia
Conchas, ondas, sonhos
Canções, laços, beijos
Nós dois nos amando loucamente
Ascendendo a cidade dos poetas
Eu quero ter o seu corpo coladinho no meu
E o meu corpo suado coladinho no seu
Som de bandinha no largo
O nosso amor acendeu
O mar brincando na areia igual a você e eu
Violência contra mulher
Uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo revelou que a cada 15 segundos uma mulher sofre agressão. E acredita-se que 2 milhões de mulheres são maltratadas a cada ano por seus parceiros.
Durante uma Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher, realizada em Belém do Pará no ano de 1994 foi definido o que é considerado violência contra mulher: “qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada”.
Há 24 anos foram criadas as Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (DEAM), cuja função é orientar e alertar as mulheres sobre os seus direitos, receber e registrar as denúncias e agir em defesa da mulher agredida.
A Lei Maria da Penha entrou em vigor 22 de setembro de 2006, para tentar minimizar a situação, e prever a prisão em flagrante ou preventiva dos agressores além de não deixá-los cumprir penas alternativas, mas sim uma detenção máxima de um a três anos. A lei prever também que o agressor fique longe da mulher e dos filhos.
Dia 25 de novembro, é o Dia Internacional pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, a data é em homenagem as irmãs Mirabal, três militantes que foram assassinadas durante a ditadura de Trujillo na República Dominicana.
A violência contra mulher é um crime que afeta a integridade física e psicológica, e deve ser denunciado. Neste ano de 2009 foi lançada no dia 20 de novembro a campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra mulher, que aborda as violências sutis, como atos de violência moral, psicológica e de controle econômico, tipos estes que não deixam marcas físicas, mas sim psicológicas, levando milhares de mulheres à depressão, a ter baixa estima. As vítimas devem ser fortes e reagir não com violência, mas sim indo a delegacias especializadas prestar queixa, para que ocorra justiça.
Se não gosta… não veja!
Besouro – O Filme (Besouro)
Elenco: Aílton Carmo (Besouro), Anderson Santos de Jesus (Quero-Quero), Jessica Barbosa (Dinorá), Flavio Rocha, Irandhir Santos, Macalé, Leno Sacramento, Chris Vianna, Sérgio Laurentino, Adriana Alves, Miguel Lunardi.
Direção: João Daniel Tikhomiro
Roteiro: Patrícia Andrade
Besouro conta a história de um capoeirista, Manoel Henrique Porteira, nascido em Santo Amaro da Purificação na Bahia, que no ano de 1920 recebeu do seu mestre, Alípio, o dever de continuar a luta contra as injustiças cometidas aos negros. A idéia de filmar um pouco da vida desse homem considerado o maior capoeirista de todos os tempos, surgiu quando o diretor João Daniel Tikhomiro leu o livro Feijoada no Paraíso de Marco Carvalho.
O filme foi visto nas duas primeiras semanas de exibição por 240 mil pessoas levadas até o cinema pela curiosidade. Todos queriam saber quem era o capoeirista que “avuava” na telona graças aos efeitos do chinês Huen Chiu Ku, responsável pelas cenas de luta do filme Kill Bill entre outros sucessos internacionais.
Para mim o fato dele “avoar” é o mínimo nisso tudo. O filme é rico em história da capoeira, da resistência dos negros, do candomblé, conta uma parte da grande luta dos negros na valorização da sua etnia e cultura.
A presença mágica dos orixás junto com as imagens da cidade de Igatu (BA) leva para o filme o que a Bahia tem de melhor, beleza, cultura e religiosidade. A fotografia do filme, feita pelo equatoriano Enrique Chediak, é perfeita, desde as lutas de capoeira até o besouro voando entre as barracas na feira.
Se você não gosta de candomblé, capoeira, não vá para o cinema ver Besouro, não estamos precisando de mais pessoas que não valorizam e não sabem respeitar as outras culturas. Por outro lado se você se acha capaz de relativizar, dê uma olhadinha e repense suas idéias. É hora de começarmos a valorizar produções brasileiras principalmente aquelas que contam a história do Brasil, dos heróis brasileiros.
— A voz de Exú é horrível, o efeito não ficou bom, quebrou todo o encanto da caracterização; É verdade há poucas cenas de luta; O personagem Besouro passa mais tempo na “floresta”, do que lutando ou “aprontando” contra o coronel.
+++ A voz que narra alguns momentos históricos, e cenas do filme é do ator Milton Gonçalves. Na trilha sonora tem Gilberto Gil e Nação Zumbi (tô doida por essa música).
Veja mais:
Linguagem nossa de cada dia
Depois de uma conversa com alguns amigos, na hora da despedida, ao invés do conhecido, “até logo”, foi dito por um deles, “Namastê”. A única reação na hora foi rir, e como resposta, dizer, “né brinquedo não”.
Foi então que parei para pensar, o quanto somos influenciados pela mídia. Não somente, no quesito moda e comportamento, mas também na linguagem, além de ditar os assuntos diários das rodas de amigos, a televisão dita de que forma esta conversa é exposta, através de bordões e palavras estrangeiras que ouvimos em programas de entretenimento e principalmente nas telenovelas. Sem dúvidas, o personagem que possui um bordão, é inserido no elenco em busca de audiência, visto que carrega humor, o que atrai a maioria do público que assiste as telenovelas.
Em geral os bordões são criados a partir de conversas informais, da periferia, de cidades do interior, de lugares que possuem uma linguagem própria desconhecida pela maioria da população e até mesmo de expressões já conhecidas, que são adaptadas com uma sonoridade e gestos, para chamar atenção, como exemplo o “né brinquedo não”, bordão da personagem Dona Jura, interpretada pela atriz Solange Couto da novela O Clone, da Rede Globo, que é uma adaptação de “Não é brincadeira”.
Essas novas expressões atraem o público não só pelo humor, mas também pela identificação com os personagens, e são usadas para se expressar em várias situações. O que acaba tornando a televisão uma grande indústria cultural, que cria e recria moda, comportamento e linguagem.
Hoje, devido ao sucesso, da novela “Caminho das Indias” da Rede Globo, escrita por Gloria Perez, é impossível não ouvir um “Namastê” (bom dia, boa tarde ou boa noite), ou um “tik tik”(sim,sim),é a cultura indiana invadindo a conversa dos brasileiros, graças a influência midiática.E assim aconteceu também com a novela O Clone, que também foi escrita por Gloria Perez, onde a cultura mulçumana, tomou conta do cotidiano brasileiro, expressões como “Inshalá”, ao invés de “Se Deus quiser” eram ditas enquanto a novela esteve no ar e algum tempo depois do final.
Esse empréstimo de outra língua para que possamos fazer uso no dia-a-dia, nada mais é uma ligação entre identidades culturais, povos e políticas diferentes. Conhecemos através da televisão os costumes de povos que talvez nunca fossemos conhecer, a não ser por reportagens especiais em algum programa jornalístico, que teria caráter informativo. Nunca por causa de uma reportagem, conheceríamos e fixaríamos o idioma de outro povo, como acontece com o uso do estrangeirismo nas telenovelas.
O estrangeirismo tem o lado positivo, se for usado como forma de conhecimento de outras culturas, o que acontece quando é inserido no contexto de uma novela, e não como uma forma de absorver uma cultura para o cotidiano, querendo viver de acordo com o padrão de vida daquele povo. Como exemplo dessa absorção,vemos a cultura norte-americana, o estrangeirismo norte-americano tomou conta do cotidiano dos brasileiros, de modo que hoje, quase tudo é pensando com base no modelo norte-americano.
Atchá (Tudo bem), juntando os vários sotaques brasileiros, mais os bordões e estrangeirismos mostrados nas novelas, criamos a linguagem nossa de cada dia para diferenciar e até mesmo divertir os nossos diálogos.
A televisão é uma grande fábrica de influências, a novela, como um produto dessa fábrica, não serve somente como entretenimento, com personagens engraçados e cheios de bordões, mas também para enriquecer a nossa cultura. Talvez não vamos conseguir tirar dos bordões nada mais do que humor, to certa ou to errada? Mas devemos enxergar pelo menos, o estrangeirismo como uma forma de enriquecimento da nossa linguagem, já que através dele conhecemos um pouco da cultura de outra sociedade.



















