Causos Soteropolitanos
Era um dia comum, numa semana comum.
Como assim? E desde quando na Bahia os dias são comuns? Todo dia meu rei, é um dia que entra na história seja pelas manchetes do Correio, pelas matérias do Na Mira, alguma descoberta de um vídeo sem noção no youtube ou simplesmente pelo cotidiano dos habitantes da cidade em que todo mundo é d’oxum.
Em Salvador é assim, todo dia é dia de acontecer, de fazer festa, de tomar uma, e de fazer uma oferenda rapidinha ali, um ebó rapidinho ali num poste no comércio, ninguém vai notar, coisa rápida.
Andando pelas ruas do comércio, me deparei com uma figura, vestido com uma camisa vermelha com a imagem de Iemanjá tentando a qualquer custo abrir uma garrafa de cerveja numa ponta de árvore, e ele conseguiu. E saiu a andar sussurrando alguma coisa. Deu uma volta em um poste derramando no chão a cerveja e a deixou lá. Coisa de 1 minuto. Saiu andando normalmente pela rua. E em menos de 1 minuto depois, um mendigo pega a cerveja dá uma olhadinha e uma boa golada e sai normalmente pela rua com sua boa Skol na mão.
Não deu no Correio, nem no Na Mira, também não está no youtube, mas são alguns dos causos da nossa Salvador. E aqui, meus caros, tem é causo para contar desses dias em que tudo pode e acontece.
Doidas e Santas – Veneno antimonotonia
Do telhado eu vejo e sinto…“…Até hoje, pergunta-se: para que serve a arte, para que serve a poesia?
Intelectuais se aprumam, pigarreiam e começam a responder dizendo “Veja bem…” e daí em diante é um blablablá teórico que tenta explicar o inexplicável. Poesia serve exatamente para a mesma coisa que serve uma vaca no meio da calçada de uma agitada metrópole. Para alterar o curso do seu andar, para interromper um hábito, para evitar repetições, para provocar um estranhamento, para alegrar o seu dia, para fazê-lo pensar, para resgatá-lo do inferno que é viver todo santo dia sem nenhum assombro, sem nenhum encantamento…”
2 de outubro de 2005
Martha Medeiros.
* Trecho tirado da crônica “Veneno antimonotonia” de Martha Medeiros. Estou lendo o livro Doidas e Santas que reúne as crônicas publicadas nos jornais O Globo e Zero Hora pela escritora.
*Fica a dica para quem gosta de boas crônicas. Para fazer o download do livro, clica aqui! E boa leitura!
* TCC sobre poesia em Salvador e Cachoeira. Em breve site no ar.
Clichê
Havia definido sem querer, um padrão.
Algo que os mais próximos chamavam de ‘seu tipo’.
Havia definido sem querer, uma música.
Aquela que não saia do play.
Havia definido, mas não sem querer, uma cena: pôr do sol, ela, ele, a música.
O seu clichê.
Foto daqui!
*Acontece de pensarmos em alguém, ouvirmos uma música e pronto, sai algo. Dessa vez o poema foi inspirado na música ” Às vezes um clichê” da banda @Maglore.
“…Maglore propõe a sinestesia musical entre cores e sons, trazendo elementos musicais de lugares diversos do mundo. O nome, assim como a sonoridade do grupo, possui mais de um significado. Além de ser um trocadilho abstraído da expressão em inglês my glory (“minha glória”), também faz referência ao nome de uma tribo africana. A mistura de tantas significações prova a riqueza e a singularidade do projeto.”
Conheça mais no site oficial da banda.
Eu adoro e está sempre tocando no meu play. Indico também as músicas ” A Sete chaves” e ” Enquanto sós”.
Twitter – vício informativo [2]
Hoje uma pessoa antenada nas novas tecnologias e que gosta de estar bem informado, todos os dias pela manhã liga o computador para ler os feeds e acessar o twitter. Navegar por sites em busca de informação não é mais preciso, com o twitter você segue os grandes e pequenos portais de noticias, além de pessoas com interesses em comum a você e pronto, fica informado.
O censo do twitter, feito através do site Twitter Central, mostra que de 11.683 usuários (última atualização em 02/06/2009), 97,51% tem perfil pessoal e 2,49% são perfis de empresas. 55% são usuários do sexo masculino e 42% são do feminino. A região sudeste, principalmente o estado de São Paulo são os locais que possuem mais brasileiros acessando o serviço. Os usuários baianos representam 3,51%. Os jovens entre 19 a 24 anos contabilizam o maior número de usuários, um total de 43,81%.
O twitter antes era usado para que as pessoas respondessem a pergunta “What are you doing?” (O que você está fazendo?), o que para muitos parecia bobagem. Mas então começaram a surgir postagens informativas, do tipo: “estou na palestra de Mário Soma e agora ele está falando sobre Mídias Sociais”. E enfim a pergunta mudou para “What’s happening?” (O que está acontecendo?), definindo para milhares de pessoas, o que o twitter tinha se tornado, não apenas uma rede social, para conhecer pessoas e fazer amizades, mas sim uma rede de informação, para troca de conhecimentos e opiniões.
O microblog é mais uma ferramenta na internet para o cidadão antes apenas leitor, ser também produtor de conteúdo. O twitter tem pautado os jornalistas. Se você é hoje um jornalista, tem que ficar de olho no twitter, porque é de lá que surgem os primeiros depoimentos, por exemplo, do apagão que aconteceu em várias cidades brasileiras em novembro de 2009, ou até mesmo que a cantora Ivete Sangalo estava indo ter o primeiro filho. Hoje há livros, músicas, campanhas que surgem através do twitter, sem dúvidas é também uma rede colaborativa.
A definição para twitter que achei mais interessante e divertida foi a do Havi Brooks no Fluent Self , traduzido por Claudia Belhassof, que eu encontrei acessando o site Twitter Brasil : “Twitter é, no final das contas, um bar.” Pois é no bar que os amigos se encontram para trocar idéias, discuti sobre os temas atuais.
É no twitter que as pessoas estão dispostas a comentar sobre um novo produto seja ele bom ou ruim, a comentar o jogo de futebol, a fórmula 1, entre tantas outras coisas. Aconteceu, a gente twitta!
E os meios de comunicação não devem ficar fora dessa novidade. O twitter pode ser um ponto de partida para pautas, depois disso é apurar, aprofundar e divulgar.
*esse texto foi escrito para matéria jornalismo on-line final do ano passado.
*para me seguir no twitter @jeniffersantos
*Logo quando comecei a usar o twitter, fiz um texto Twitter – vício informativo [1], leia!
Verão na Bahia
Levantamos mais cedo da cama, mesmo não indo trabalhar porque o calor é insuportável. Sonhamos com umas gotas de chuva, e quando ela vem, pedimos que vá, já que só piorou o calor.
Ingerimos mais liquido, e consequentemente mais cevada. Trocamos os sapatos por sandálias leves, sonhamos com o dia em que será permitido trabalhar de havaianas. Corremos para as liquidações a fim de comprar camisetas, vestidos, bermudas. Queremos nos sentir livres, leves e soltos.
Se já malhávamos feitos loucos, agora então… Mais ainda. É projeto verão, corridinha na orla. E para quem não malha, melhor ainda, mais cerva para dentro sem medo de ser feliz.
O nosso lado axézeiro, pagodeiro, regueiro fala mais alto. Abre o porta mala, lá vem o lobo mal, então sobe no teto do carrão e aproveita para mostrar o pacotão!
É reg pra lá, balada pra cá. Todo mundo na base do beijo e quem sabe depois um rebolation, mas não se esquece da camisinha hein… Porque vocês sabem que amor de verão nem sempre sobe serra.
E como todo mundo sabe e diz, é festa todo dia, e não perdemos uma. Depois do trabalho, vamos esquecer a cara do chefe, e daquele colega mala. O problema é encontrar com eles lá. Mas qualquer coisa tira foto, faz um vídeo, posta no youtube, divulga no twitter que amanhã tá na capa do correio, vira piada e hastags no twitter. Pronto, é celebridade instantânea baiana que tem mais valor ainda, e você se livra dele para sempre.
Praia no final de semana para na segunda esbanjar o bronzeado e a marquinha do biquíni.
Vamos saudar o senhor do Bonfim, Iemanjá, Oxum e Oxalá, e assim somos abençoados por todo o ano novo que enfim virá depois do carnaval.
Um ano de trabalho, estudo, sonhos e objetivos para alcançar. Continuaremos levantando cedo com ou sem calor. Na luta, na labuta, na batalha. Aqui não tem esse negócio de preguiça não meu rei. Baiano que é baiano, tá de sol a sol, de chuva a chuva, mexendo ou carregando o balaio.

















