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mai 17, 2008
Jeniffer Santos

Sim, todos os dias eram iguais, desde o verão passado.
Bete sai de casa às 8 horas e as 10, está em cima do mini-trio daquele titulo de capitalização que faz maior sucesso na cidade. Usa um short curto vermelho, com um top azul, de tênis, cabelos longos e cacheados sempre molhados. O sol é escaldante e Bete com aquele sorrisão largo estampado no rosto,rebola,vira e mexe ,solta beijos, para aqueles tarados da construção e para os bêbados dos bares em ruas por onde passa o mini-trio.
Na hora do almoço, é quase sempre misto requentado e aqueles sucos de caixinha. Dá graças a Deus quando chega a tarde e o calor diminui. É sempre a mesma música, a mesma dança, o mesmo sorriso no rosto. Parece que gosta, vai ver até gosta, não sei. Os homens gostam, as mulheres olham com despeito, as senhorinhas acham uma pouca vergonha. E Bete?Bem… Bete não liga, mas Bernadete sim.
Bernadete usa popa no cabelo, saias compridas, blusas de manga, têm filhos, esposo e freqüenta a igreja todas as noites. Bete e Bernadete nunca se encontram, mas os vizinhos, a sociedade encontram-nas, principalmente nas conversas diárias de quem não tem o que fazer.
Photos/Subindo no Telhado———————

.elo eterno.

Mais fotos: www.flickr.com/photos/subindonotelhado

Do telhado eu vejo e sinto———————

“Essa noite eu só queria um colo e o aconchego confortável de sua presença, porque tenho frio e cansaço, e minha alma criança reclama abrigo e descanso. Essa noite eu não posso fazer poesia nem flutuar nas palavras, porque o imenso peso da minha angústia me prende numa gravidade onde só quero derramar tristeza. Essa noite eu não enxergo mais nenhuma estrela nem ouço mais nenhum conselho bonito, porque tudo em mim é doloroso, e toda lembrança vira martírio”.

Menina Lunarhttp://meninalunar.blogspot.com/

mai 8, 2008
Jeniffer Santos

Bobo Desvairado 1

Amanheceu e estava tudo fora do lugar, roupas espalhadas pelo chão do quarto, lençol cobrindo a tv. Já era dia mas a vela ainda estava acesa soltando no ar o perfume de ontem,o sol não era o mesmo,o dia estava cinzento.Cinzentos sentimentos.
O cigarro era interminável, ia queimando lentamente, assim como passava as imagens de outrora na sua cabeça. Havia muitos maços de cigarros no pé da cama. Com quem estivera ontem a noite mesmo?
Não fumava, mas talvez o seu eu – ontem fumasse. A música era repetidamente a mesma no toca-fitas do seu quarto. Quanta nostalgia.
Olhou-se no espelho e buscou ver quem era ,ser quem era e viu refletida a imagem de um alguém que não era o seu eu – alguém, mas sim um outro ,aquele com quem dormira.
Adormecera nos seus próprios braços, dormira consigo mesmo, o estranho perfeito e tinha tido uma das melhores noites de prazer de sua vida.
Achou paradoxal, mas abriu outra garrafa de cachaça e anoiteceu ainda com tudo fora do lugar e pensou que aquilo jamais fora ou seria solidão.



“Permitam-se dias para si mesmo, para pensar, refletir, se decidir, não permaneça no passado, não antecipe o futuro, experimente assim como você experimenta pela primeira vez o gosto ardente da cachaça, o louco e surreal presente momento consigo mesmo”.
(Bobo desvairado)




*Novo personagem.
Fotos: www.flickr.com/photos/subindonotelhado
PlaY: Bob Marley – Redemption Song

.a menina do telhado.

Para inspirar

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