Pasárgada.
Perdida
Distância entre nós.
Relativizando.
Com a intenção de quebrar estereótipos, e preconceitos, o grupo decidiu relativizar em um local freqüentado por homossexuais, conhecido em Salvador como “Beco da Off”,e em uma das mais famosas boates GLS da cidade,a “OFF” localizada na Barra.
Apesar de muitas campanhas, muitas batalhas feitas pelos homossexuais eles ainda são discriminados na sociedade, muitas pessoas tratam os gays como algo estranho, fora do padrão da sociedade, sujos, pecadores, vários termos depreciativos são usados contra essas pessoas. Antes de conhecermos o ambiente, estávamos apreensivos sem saber o que encontraríamos lá, e com medo da forma que eles pudessem chegar até nós.
Ao chegarmos no local, nos dias 25/05 e 26/05 , esperávamos encontrar homens e mulheres fazendo suas demonstrações de afeto em público, algo bem explícito, mais não foi bem assim, as pessoas eram super discretas,observamos pouquíssimos casais de mãos dadas,ou abraçados,pensávamos também que seriamos abordados,mas não,como acontece em qualquer festa,ou local de encontro de pessoas,existiram apenas olhares,mas nada. Encontramos também um travesti chamado “Pink”, super alto-astral, pedimos para tirar foto e na mesma hora ele aceitou e fez brincadeiras com os meninos do grupo.
O Relativismo quebra qualquer verdade ou valor absoluto, os relativistas acreditam que todo ponto de vista é valido, afirma ainda que todas as posições morais, sistemas religiosos, movimentos políticos são verdades que são relativas ao individuo.
Ir a um local GLS, quebrou para nós uma barreira, de que gay é extravagante, promiscuo. Assim como os heterossexuais que freqüentam bares, boates noturnas, eles estão ali para se divertir, são pessoas como outras quaisquer. A sociedade tem que aceitar o modo de ser e de viver de cada um, afinal de contas vivemos em um país democrático, as pessoas são livres para ser o que quiserem.
Nós, relativizamos e passamos a respeitar a opção sexual de cada um. Acreditamos ainda que toda sociedade devesse fazer o mesmo, existem tantos problemas maiores no mundo,que está se importando com quem o outro se relaciona e como se relaciona,chega até ser uma atitude medíocre, os homossexuais, querem ser felizes do jeito que são. E para que houvesse uma maior interação entre heterossexuais e homossexuais, não devíamos dividir uma cidade em lugares freqüentados por gays e outros pelos não gays. Ser homossexual não é ofender ninguém, é uma opção, devemos lembrar que antes de ser um gay, é um ser humano que merece respeito pela suas escolhas.
Um trabalho nota 10 de Antropologia Social.
De mãos dadas com a felicidade.
Quem bate?
E ele se despedaçou
E os pedaços iam caindo no chão
E eu pegava-os, não queria deixá-los cair.
E eles escapavam entre meus dedos
E eu ia buscá-los novamente
[quem era?]
Era o meu coração
E os pedaços continuavam a cair
E eu já havia sem querer feito uma coreografia lenta de cima para baixo, de baixo para cima catando aquele que estava em pedaços.
E de repente eu senti que havia outra pessoa
[quem bate?]
Era um outro alguém dentro de mim
E ele me dizia que apesar de sempre precisarmos de alguém do nosso lado não podíamos fazer disso a razão do nosso viver
E ele me restaurou
E juntou lentamente na palma da minha mão, um por um pedacinho do meu coração.
[o que houve mais?]
E me mostrou que a vida tem seus momentos
E se o vivermos intensamente não podemos lamentar sua perda, pois realmente tudo passa.
[o que houve?]
E o alguém me disse ainda que tenho que olhar para dentro de mim mesma,e enxergar que existe algo maior que a dor,e esse algo deve ser sempre grande,pois assim saberei cuidar de mim e das feridas que a vida ou alguém que por ela passar me fizer.
[quem bate?]
Era ele,o amor próprio.
Longe do Portão de Casa.[Parte V ]
O fato de ir almoçar fora de casa, mudou totalmente minha rotina, já passava menos tempo em casa, sem fazer nada, a cozinha ficava mais arrumada. Só continuava ainda lavando roupas, que me deprimia totalmente. Ao contrario do que acontecia em Feira de Santana,não me sentia sozinha,havia animo para o estudo,para sair de casa,fazer minhas reportagens,comecei a escrever mais ainda do que escrevia,minha mãe não estava ali para me ajudar,mas estava mais confiante em mim,e tudo estava indo bem.
Morar na cidade grande é complicado, e ter que pegar ônibus é mais ainda, já me perdi varias vezes em Salvador,por conta de pegar o ônibus errado.Queria ir para Paralela,e fui parar no aeroporto,só sei que aproveitei tranquilamente o passeio,por apenas 2 reais.Tinha o cartão do banco,mas não sabia como usar,nem nunca tinha chegado perto de um caixa eletrônico,mas tive que aprender,afinal precisava de dinheiro para poder pagar as contas.
Acabei tendo dois apartamentos em Salvador, o meu e dessa amiga. A idéia de estar sozinha, me deixava deprimida, não tinha medo, mas o sorriso do meu rosto se apagava.Foi então que esses dois apartamentos se tornaram um,as meninas, ,vieram morar comigo,minha sala vazia se encheu de moveis,minhas paredes brancas de quadros,meu silêncio ,de risadas e música.Minha individualidade permanece intacta,tenho meu quarto,minha TV,meu computador,mas divido sempre com elas essa individualidade.
Os gastos financeiros foram divididos, e tudo aliviou para ambas as partes. Não trouxe para perto de mim,um pedaço da minha família,que aconteceria caso minha tia e prima,viessem morar comigo,mas formei uma nova família.
Meu pai foi contra de primeira, ele acredita que não daria certo de jeito nenhum, pois morar com pessoas diferentes de nós, é complicado. Concordo com ele sim, mas o mundo é feito de diferenças, ainda bem, se fosse tudo igual, seria muito monótono. Pedi para ele, que me deixasse viver essa experiência, que seria apenas mais uma entre tantas outras que virão e se não der certo, paciência, começa tudo outra vez, não já fiz isso uma vez, fazer de novo, não tem problema algum.
Fiz muitas renuncias para estar onde estou, e tenho certeza que muitas ainda viram. Estar longe da minha família, é algo que dói bastante, mas o que eu aprendi é que jamais devo me aprisionar nas cadeias da saudade. Preciso viver, e seguir em frente, aconteça o que acontecer eles serão minha família sempre e se algo vier a dá errado,eu tenho para onde poder voltar,é só bater no portão de casa.













